Após a Justiça afastar Paulo Henrique Costa, o PH, da presidência do BRB, o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, anunciou nesta quarta o nome de Nelson Antônio de Souza para comandar o banco. Na prática, a troca mantém a estatal na zona de influência do centrão. Ambos são próximos a chefes do PP, em especial do senador Ciro Nogueira, do Piauí. Nelson, o novo presidente, tem conexão fina com o deputado Aguinaldo Ribeiro.
A decisão judicial que afastou PH ocorreu no âmbito da Operação Compliance Zero. A ação da Polícia Federal busca coibir a prática de fraudes no sistema financeiro. Uma das linhas de investigação da PF aponta que o Banco Master vendeu 12 bilhões de reais em títulos falsos ao BRB. Além de PH, o diretor-executivo de finanças do BRB, Dario Oswaldo Garcia Júnior, foi afastado do cargo.
O anúncio de Souza como presidente do BRB ocorreu de forma tumultuada. Antes dele, Ibaneis havia anunciado Celso Eloi de Souza Cavalhero para o cargo. No dia seguinte, porém, voltou atrás. Após a confusão, o governo de Brasília disse que Eloi vai assumir uma diretoria do banco. Em relação a Nelson, disse que a escolha tem caráter técnico.
Antes de assumir, Nelson deve encaminhar os documentos necessários ao Banco Central. Depois disso, o nome dele ainda precisa ser aprovado na Câmara Legislativa do Distrito Federal.
Um ponto em comum entre PH, Nelsom e Eloi é a passagem dos três pela Caixa Econômica Federal – outro banco público sob influência do centrão. Eloi soma quase 36 anos de carreira na instituição: ingressou em 1990 como escriturário e hoje ocupa o cargo de superintendente. PH entrou como trainee em 2001 e permaneceu por quase duas décadas, chegando à vice-presidência. Nelson, por sua vez, dedicou cerca de 35 anos à Caixa e presidiu o banco entre 2018 e 2019.
Ao contrário de Eloi, tanto PH quanto Nelson deixaram a instituição. A ascensão da dupla aos postos mais altos da Caixa é frequentemente vinculada às suas conexões políticas.
Como mostrou o Bastidor, os dois figuravam na lista de indicados do PP para substituir Rita Serrano na presidência da Caixa no primeiro ano do governo Lula 3. À época, a nomeação da sindicalista para o comando do banco desagradou setores do centrão. Meses após a nomeação, o presidente Lula cedeu à pressão, demitiu Rita e colocou Carlos Antônio Vieira Fernandes no cargo – uma escolha influenciada pelos apelos do deputado Arthur Lira, do PP de Alagoas.

