Entre os presos na operação Concierge, que investiga uma organização criminosa suspeita de crimes contra o sistema financeiro e lavagem de dinheiro, está Patrick Burnett, presidente do banco digital Inovepay. Ele é membro do comitê de gestão do Lide. No grupo liderado por João Doria, comanda o setor de inovação.

De acordo com a Polícia Federal, o esquema usava fintechs – os bancos digitais – não autorizadas pelo Banco Central, que ficavam hospedadas em instituições financeiras de grande porte, o Bonsucesso e o Rendimento. Além da Inovepay de Burnett, havia a participação do T10 Bank.

As duas fintechs depositavam os recursos dos seus clientes em bancos tradicionais e usavam empresas de fachada para movimentar o dinheiro, inclusive com o recebimento de valores por meio de máquinas de cartão de crédito.

A suspeita dos policiais é que as duas fintechs operavam dinheiro de facções criminosas, empresas com dívidas trabalhistas e com os mais diversos problemas com a Justiça.

A PF diz que contas desses dois bancos digitais, hospedadas em bancos regulares e autorizados, movimentaram 7,5 bilhões de reais. A organização também usou meios de pagamento com máquinas de cartão de crédito em nome de empresas de fachada, não relacionadas aos verdadeiros usuários, permitindo a lavagem de dinheiro e pagamento de atos ilícitos de forma oculta.

Foram cumpridos 10 mandados de prisão preventiva, 7 de prisão temporária e 60 de busca e apreensão em São Paulo e Minas Gerais.

Burnett é amigo de João Doria. Aparece ao lado do ex-prefeito e ex-governador de São Paulo em diversos momentos. Já declarou que tem com o ex-político uma relação de confiança, dado que foi convidado para comandar a área de inovação do Lide.

Em entrevista a um podcast no fim do ano passado, Doria disse ser um grande admirador do colega. “O Patrick [Burnett] teve inúmeras circunstâncias de vida para desistir. E o que ele fez? Enfrentou, buscou sócios, parceiros e soluções”, declarou.

Procurado pelo Bastidor, o Lide disse que enviaria uma resposta até às 15h30, o que não ocorreu.

A Inovepay disse que os advogados do Inove Global Group não tiveram acesso integral ao conteúdo da investigação. “A empresa nega veementemente ter relação com os fatos mencionados pelas autoridades policiais e veiculados pela imprensa. Também ressalta total disposição em colaborar com as investigações. Importante ressaltar que o Inove Global Group é uma empresa de tecnologia ligada a meios de pagamento. E não uma Instituição financeira e nem banco digital”.