Um grupo de fundos credores da Oi tenta barrar a venda dos 27,26% que a companhia detém de participação na V.tal, empresa de infraestrutura de fibra óptica considerada o principal ativo do que restou da tele.
A única proposta pela fatia da Oi foi apresentada por fundos ligados ao BTG Pactual, de André Esteves, que já controlam a V.tal com 72,5% de participação. O BTG apresentou uma oferta de 4,2 bilhões de reais, abaixo do preço mínimo estipulado no edital de alienação, de 12,3 bilhões de reais. Por isso, a proposta precisa ser votada por parte dos credores.
Fundos ligados à Pimco, SC Lowy e Ashmore defendem a possibilidade de usar seus próprios créditos, que estão bloqueados, como forma de pagamento. O gestor judicial da Oi, Bruno Rezende, discorda: insiste no valor à vista, em dinheiro, mesmo que abaixo do preço mínimo.
Foram esses fundos estrangeiros que apresentaram contestações ao Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, no âmbito do procedimento de recuperação judicial da Oi, afirmando serem contra a efetivação da transferência dos 27,26% ao BTG. O processo corre em sigilo.
Fontes envolvidas na disputa, ouvidas pelo Bastidor, contestam a posição desses fundos. Dizem que, por terem interesse na compra da fatia, eles não podem constar entre os credores votantes que avaliarão a proposta do BTG.
Tem direito a voto os credores do grupo Opção de Reestruturação I. Desses, 66%, quando excluídos os fundos que têm interesse na compra, são favoráveis à venda da fatia da Oi na V.tal para o BTG, afirmaram duas fontes.
No próximo dia 30 haverá a audiência na 7ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro do TJ-RJ para tratar do tema. Além dos credores, o Ministério Público Federal também se manifestará. Como o processo corre em sigilo, as partes não se manifestaram.

