A montadora chinesa BYD é um dos 169 novos nomes da lista suja do trabalho escravo, divulgada nesta terça-feira (7) pelo Ministério do Trabalho e Emprego. Em 2024, uma inspeção feita pelos ministérios públicos Federal e do Trabalho, com apoio da Polícia Rodoviária Federal, encontrou 163 trabalhadores chineses em situação degradante nas obras de readequação da antiga fábrica da Ford, em Camaçari, na Bahia, assumida pela BYD.
Atualizado a cada seis meses pelo governo federal, o cadastro inclui empresas ligadas direta ou indiretamente a casos de condições de trabalho análogas à escravidão. Nesta última edição são citados 613 empregados, a maioria empresas do agronegócio.
De acordo com o Ministério do Trabalho, no caso da BYD, os 163 trabalhadores eram contratados de duas empresas terceirizadas chinesas, responsáveis pelas obras em Camaçari. À época, a BYD reconheceu o problema e afirmou ter encerrado os contratos assim que soube da situação. As duas empresas não foram citadas na lista.
Os trabalhadores foram encontrados dormindo amontoados, sem direito a colchões ou condições básicas de higiene. Havia apenas um banheiro para cada grupo de 30 pessoas. Eles tinham de acordar diariamente às 4h, para poderem lavar roupas e tomar banho. Todos eram chineses.
O Ministério Público do Trabalho apresentou ação pedindo indenização de 275 milhões de reais à BYD e às outras duas empresas terceirizadas. O processo ainda corre na Justiça.
A BYD fornece veículos sob comodato para a Presidência da República e outros órgãos da administração federal, como o Tribunal de Contas da União. O vice-presidente da empresa no Brasil é Alexandre Baldy, ex-ministro das Cidades no governo de Michel Temer.
A BYD ainda não comentou oficialmente a inclusão de seu nome na lista suja do trabalho escravo.