O Tribunal de Contas do Distrito Federal bloqueou os bens de cinco ex-integrantes da alta administração do BRB. A decisão é cautelar, vale por um ano e foi tomada em sessão reservada na quarta-feira (23). O processo corre em sigilo.
São alvos da medida o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa, o ex-diretor de Finanças e Controladoria Dario Oswaldo Garcia Júnior, o ex-superintendente de Operações Financeiras Robério Cesar Bonfim Mangueira, Wily da Silva Leão, que integrou a mesma superintendência, e Marcelo Talarico, ex-presidente do Conselho de Administração.
Costa está preso desde abril. Segundo a Polícia Federal, ele recebeu 74 milhões de reais de Daniel Vorcaro, dono do Master, em propina para garantir negócios que ajudaram o Master e causaram prejuízos de 17 bilhões de reais ao BRB. Ele chegou a negociar um acordo de delação premiada.
No processo, o TCDF fiscaliza desde 2025 as transações entre o BRB e o Master. O tribunal converteu o caso em tomada de contas especial, procedimento que apura responsabilidades e dano ao patrimônio público. O bloqueio de até 2,76 bilhões de reais serve para garantir o ressarcimento aos cofres públicos caso o dano se confirme. O valor é o teto fixado para a indisponibilidade dos bens, não do dano apurado. Os ex-dirigentes têm 30 dias para se manifestar.
O tribunal também deu 24 horas para o BRB entregar o relatório de auditoria independente feita no banco. O atual diretor-presidente foi chamado a explicar em 30 dias por que descumpriu uma determinação anterior do TCDF sobre envio de informações. O banco tem ainda 15 dias para prestar esclarecimentos e entregar documentos sobre a representação do Ministério Público de Contas do Distrito Federal.
O BRB concluiu em 7 de abril a auditoria que contratou do escritório Machado Meyer e da Kroll depois da Operação Compliance Zero. Segundo comunicado ao mercado, o banco enviou o relatório final à Polícia Federal. O documento não foi divulgado. O BRB também não publicou o balanço de 2025 no prazo legal, que venceu em 31 de março, e atribuiu o atraso à auditoria.
Em agosto, em outro processo, o TCDF cobrou explicações do governo do Distrito Federal e do BRB sobre a aplicação de 3,4 bilhões de reais do Tesouro distrital em CDBs do banco.