A abertura do mercado nesta segunda-feira (26) marcou uma despedida na Bolsa brasileira. A partir do pregão de hoje, as ações do Banco Pan deixam de ser negociadas na B3. A retirada dos papéis ocorre em razão da incorporação do antigo PanAmericano pelo BTG Pactual, banco de André Esteves.

Como mostrou o Bastidor, a operação foi concluída na sexta-feira (23). Com isso, o Pan passa a operar como subsidiária do conglomerado prudencial de Esteves. A transação recebeu autorização do Banco Central em 15 de dezembro. Nesta segunda-feira, as companhias divulgaram comunicado ao mercado informando oficialmente a retirada das ações do Pan de circulação.

Em 2010, o Banco Central identificou uma fraude bilionária no então Banco PanAmericano, à época controlado pelo Grupo Silvio Santos. No ano seguinte, o controle da instituição foi transferido ao BTG por 450 milhões de reais.

Pelo acordo firmado entre a Caixa Econômica Federal, o PanAmericano e o BTG, o banco público comprometeu-se a adquirir créditos do Pan em até 8 bilhões de reais e a reforçar sua liquidez por meio de depósitos interfinanceiros de até 2 bilhões de reais. As medidas foram consideradas essenciais para garantir a continuidade das operações naquele momento.

O BTG assumiu o Pan com o rombo já reconhecido, a instituição recapitalizada e um passivo de longo prazo junto ao Fundo Garantidor de Créditos, o FGC.

A aquisição permitiu uma entrada rápida e de baixo custo do BTG no varejo de massa. Até então concentrado no atacado e em clientes de alta renda, o banco de André Esteves passou a diversificar suas fontes de receita e a estruturar uma plataforma de varejo voltada às classes C e D, mantida separada da marca BTG.

Condenações

Em 2012, o Ministério Público Federal denunciou 14 ex-diretores e três ex-funcionários do PanAmericano por crimes contra o sistema financeiro. Em 2018, a 6ª Vara Federal Criminal de São Paulo condenou sete ex-diretores por gestão fraudulenta e outras irregularidades. O caso ainda tramita sob segredo de Justiça no Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3).