O Fundo Garantidor de Créditos, o FGC, informou nesta quinta-feira (5) que seus sistemas sofreram um acesso não autorizado, identificado em 26 de outubro. O invasor chegou a dados pessoais de investidores que receberam a garantia do fundo após a liquidação de instituições financeiras: nome, CPF, e-mail e data de nascimento, além dos tributos retidos no pagamento e do canal pelo qual cada aplicação foi feita. A entidade não informou quantas pessoas foram afetadas.

Segundo o comunicado, o acesso atingiu o fluxo de pagamento de garantias, mecanismo que o fundo aciona quando uma instituição associada sofre intervenção ou liquidação extrajudicial ou tem a falência decretada. Nesses casos, o FGC cobre até 250 mil reais por CPF ou CNPJ em cada instituição ou conglomerado, em produtos como poupança, CDB, LCI e LCA. O fundo é uma entidade privada, sem fins lucrativos, mantida por contribuições das próprias instituições associadas.

De acordo com a entidade, a investigação conta com o apoio de empresas especializadas. O FGC ainda tenta estabelecer a extensão do acesso e se houve cópia, divulgação ou uso indevido das informações. Até agora, diz o FGC, não há evidência de nenhuma dessas hipóteses nem registro de perda financeira. Como primeiras medidas, o fundo restringiu o acesso aos ambientes atingidos, bloqueou contas indevidas e revisou permissões e controles de segurança.

O FGC afirma ter comunicado o incidente à Autoridade Nacional de Proteção de Dados, a ANPD, como exige a Lei Geral de Proteção de Dados, e ter avisado os titulares individualmente por e-mail. O fundo alerta que os dados podem ser usados para dar credibilidade a golpes por telefone, mensagem ou e-mail.

A ANPD disse ao Bastidor que só foi comunicada no dia 29 sobre o ataque hacker. “A Agência também esclarece que iniciou a análise da documentação preliminarmente encaminhada, estando o regulado ainda dentro do prazo para complementação das informações. Caso necessário, a Agência acionará o FGC para prestar esclarecimentos adicionais sobre o incidente reportado”, afirma.

Para evitar fraudes, a orientação é ignorar mensagens ou ligações que solicitem pagamentos, autenticação e instalação de aplicativos. Também é necessário não clicar em links de origem desconhecida.