Pego de surpresa pela fuga de Flávio Bolsonaro para os Estados Unidos, sem resposta para os aliados da oposição e constrangido pela carta em que o candidato derrotado contesta uma eleição que o próprio partido reconheceu, o PL recorreu ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Dois dias depois da fuga, a a cúpula da legenda procurou o ex-presidente, que cumpre prisão domiciliar em Brasília.

Valdemar Costa Neto, presidente do PL, passou cerca de duas horas com Bolsonaro na quinta-feira (29). No mesmo dia, a defesa de Bolsonaro pediu ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, autorização para que ele receba na próxima semana o senador Rogério Marinho, candidato à presidência do Senado. Os advogados sugerem terça (3), quarta (4) ou quinta-feira (5), em horário a ser definido por Moraes.

Ambos dizem que não sabiam do plano de Flávio de deixar o país. Na manhã de terça (27), Marinho negou a saída de Flávio do Brasil. Horas depois, admitiu que o candidato podia ter deixado o país. No mesmo dia, Valdemar reuniu a cúpula do partido, e ninguém ali sabia o que Flávio pretendia fazer, segundo um integrante do PL que acompanhou o encontro. Desde então, o PL não responde aos partidos de oposição que o procuraram para combinar os próximos passos em temas urgentes, como as eleições na Câmara e no Senado.

Valdemar chegou à casa de Bolsonaro dizendo que ia contar ao ex-presidente as novidades e como estava a situação. Perguntado sobre a carta de Flávio, respondeu que não tinha gostado. Na saída, num ato falho, disse que Flávio se despedira do pai no encontro de segunda (26). Em seguida, disse que Bolsonaro não sabia dos planos do filho.

A cúpula do PL volta a se reunir na quarta-feira (4). Além de tratar da fuga de Flávio, o partido vai confirmar a candidatura de Marinho à presidência do Senado.