O senador Camilo Santana anunciou, nesta quarta-feira (21), que o presidente Lula aceita as condições propostas pelo candidato do PL à Presidência, senador Flávio Bolsonaro, para a abertura de sigilos bancários, fiscais e telefônicos dos dois. Em troca, exige que Flávio cumpra tudo o que a campanha petista pediu ao Tribunal Superior Eleitoral, o TSE, inclusive a abertura das contas de uma empresa que o senador deixou de fora da própria proposta.
A resposta será protocolada por Camilo no TSE às 11h desta quinta-feira (22). O senador disse esperar que Flávio, ou um representante dele, compareça ao tribunal no mesmo horário para formalizar o acordo. Segundo o senador, a abertura dos dados não pode ficar para depois da eleição.
O calendário, no entanto, joga contra essa promessa. A votação é no domingo (25), três dias depois do protocolo. Até lá, os dados teriam de ser requisitados a bancos, à Receita Federal e às operadoras de telefonia, reunidos e publicados. A troca de petições acontece na última semana de campanha, e cada lado usa o tema contra o outro.
O embate começou no debate da Band, no domingo (18), quando Lula desafiou o adversário a abrir as contas e os registros telefônicos. Na terça-feira (20), a campanha petista formalizou a proposta no TSE. Lula ofereceu os próprios sigilos bancário, fiscal e eletrônico dos últimos oito anos e os da primeira-dama, Janja, e dos cinco filhos, inclusive Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha.
Em contrapartida, exigiu o mesmo de Flávio, do pai, Jair Bolsonaro, da mãe, Rogéria, dos irmãos Carlos, Eduardo e Jair Renan, e da mulher, Fernanda Bolsonaro. Pediu ainda a abertura das contas de cinco empresas ligadas ao senador: a sociedade de advocacia dele, a All In One Corretora de Seguros, a Bravo Grafeno Tecnologia e Inovação, a Bolsonaro Digital e a Alcazar Holdings.
Flávio respondeu nesta quarta, também em petição ao TSE. Ele autoriza a quebra dos próprios sigilos dos últimos 20 anos e estende a autorização às empresas das quais é sócio ou administrador e aos familiares citados por Lula. Diz não se opor à divulgação de suas mensagens com o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
Condiciona tudo, porém, à divulgação simultânea dos registros das reuniões de Lula com Vorcaro em dezembro de 2024 e das entradas do banqueiro nos palácios do Planalto e da Alvorada. Incluem também a quebra de sigilo de Lulinha, do ex-chefe de gabinete Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, e da lobista Roberta Luchsinger, que aparecem nas investigações sobre as fraudes no INSS, e dos gastos no cartão corporativo da primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, e as despesas do Alvorada.
Um item do pedido de Lula, no entanto, não aparece na resposta de Flávio: a Alcazar Holdings. A empresa pertence ao advogado Willer Tomaz, e a petição petista afirma que Flávio foi cadastrado como usuário master de uma conta dela. Camilo disse estranhar a exclusão e lembrou que Tomaz é investigado no caso dos descontos indevidos em aposentadorias do INSS. Para o coordenador, cabe ao candidato do PL explicar por que retirou a empresa da lista.