O ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal, negou pedido da Polícia Federal de um mandado de busca e apreensão contra o candidato do União Brasil ao governo da Bahia, ACM Neto, na 10ª fase da Operação Overclean, deflagrada nesta quinta-feira (17).

A investigação apura indícios de que o ex-secretário de Educação de Belo Horizonte, Bruno Barral, participava de um esquema para fraudar licitações na capital mineira. Ele também é suspeito de ter atuado em favor do mesmo grupo quando ocupou a mesma pasta em Salvador, durante a gestão de ACM Neto como prefeito (2013 a 2021).

Em 2022, o Bastidor mostrou que ACM Neto é amigo do empresário Marcos Moura, do setor de coleta de lixo, o principal investigado pela Polícia Federal no caso da Overclean.  O vínculo se fortaleceu no tempo em que este era prefeito de Salvador. Na capital, o contrato é de 174 milhões de reais. Na campanha eleitoral de 2022, Neto viajou em um avião particular de Moura.

Nunes Marques afirmou que não havia base legal nem indícios concretos da participação direta de ACM Neto no esquema mineiro. Contudo, ele segue citado e investigado no escopo amplo da operação, que apura o loteamento de cargos e a atuação do cartel empresarial baiano.

A suspeita dos investigadores é de que ACM Neto tenha usado a influência política para garantir a nomeação de Barral em Belo Horizonte. A escolha ocorreu em 2024, quando a prefeitura ainda era comandada por Fuad Noman, morto em abril do ano passado. Barral foi afastado do cargo depois que os policiais deflagraram a terceira fase da Overclean, em abril de 2025, que já apontava suspeitas sobre o então secretário.

Nesta 10ª fase, os investigadores apontam indícios de favorecimento em licitações na secretaria de Belo Horizonte, para favorecer empresários baianos que já faziam parte do esquema encontrado em Salvador. Segundo os policiais, foram desviados cerca de 80 milhões de reais da prefeitura.

O dinheiro, conforme a Polícia Federal, beneficiou o grupo de Marcos de Moura. Ele e Alex Parente, outro integrante do grupo, foram alvo de mandados de busca autorizados por Nunes Marques.

A operação Overclean começou com a investigação de suspeitas de desvios de dinheiro público a partir de emendas e de contratos do DNOCS, em 2024. Em dewzembro de 2024, Marcos Moura e outros 15 suspeitos passaram nove dias na cadeia. Desde então, a investigação expandiu para outros tipos de contrato do grupo com prefeituras de diversos estados. 

As defesas de ACM Neto, Marcos Moura e Alex Parente ainda não se manifestaram sobre a operação.