O ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal, pediu ao presidente da Corte, Edson Fachin, acesso à íntegra dos dados extraídos do telefone de Daniel Vorcaro, um iPhone 17 Pro, apreendido pela Polícia Federal e hoje sob custódia do gabinete do ministro André Mendonça.

Segundo Zanin, o material está diretamente ligado à PET 16.662, o processo que reúne as mensagens atribuídas a Alexandre de Moraes e a Vorcaro.

No ofício, enviado a Fachin nesta sexta-feira (11), Zanin pede que o conteúdo do aparelho seja disponibilizado em HD específico, para agilizar a análise. O pedido cita um documento produzido pela Polícia Federal que reúne os dados periciados do celular.

Para o ministro, esse acesso deveria ter sido incluído entre os documentos cujo sigilo Mendonça levantou parcialmente ontem.

O pedido de Zanin contém um aspecto técnico relevante. O acesso aos dados que fundamentam a interpretação da PF sobre eles é uma medida comum em casos criminais. As evidências são os dados brutos – no caso, o conteúdo de um dos iPhones de Vorcaro. Em tese, Zanin e os demais ministros podem conferir o trabalho feito pela PF. O problema é o tempo, evidentemente, exíguo para acessar e ler os dados, caso Fachin autorize isso.

Há uma outra dimensão no movimento de Zanin. O ministro se consagrou por, precisamente, conseguir acesso e produzir perícias que apontaram erros tanto nas interpretações dos investigadores quanto, sobretudo, na cadeia de custódia dos dados. Caso se identifique algum erro na cadeia de custódia do celular de Vorcaro, esse fato, ou essa tese, pode servir para, no limite, excluir esses dados dos processos. A analogia óbvia aqui é com o caso dos sistemas de propina da Odebrecht, que foram declarados imprestáveis pelo Supremo graças a Zanin, então advogado de Lula.

Fachin determinou que o ofício fosse juntado ao processo e solicitou informações a Mendonça sobre o pedido e sobre a disponibilidade do material citado.

Mais cedo, o ministro Alexandre de Moraes encaminhou a Fachin ofício em que acusa Mendonça de esconder documentos ao levantar o sigilo do processo que deu origem às investigações contra o próprio Moraes.

Leia o pedido de Zanin:

Leia o despacho de Fachin: