O juiz André Salomon Tudisco, da 1ª Vara Empresarial e Conflitos de Arbitragem de São Paulo, condenou o ex-diretor financeiro (CFO) do Itaú Alexsandro Broedel a pagar 2,83 milhões de reais ao banco, por violação de deveres fiduciários e recebimento de vantagem pessoal não autorizada. Na mesma sentença, contudo, o magistrado rejeitou, por falta de provas, um pedido separado de indenização de 6,64 milhões de reais movido pelo Itaú contra o executivo.

O Itaú moveu três ações contra Broedel desde dezembro de 2024, cinco meses depois dele deixar o banco para assumir um cargo global no Santander, na Espanha. As duas primeiras foram reunidas por conexão e julgadas na sentença divulgada hoje. A terceira, sobre pareceres supostamente fantasmas, segue em aberto.

Na primeira ação, protocolada em janeiro de 2025, o Itaú acusava Broedel de ter usado o cargo de diretor financeiro para aprovar a contratação da Care Consultores, empresa do professor e contador Eliseu Martins, e de receber, por fora, cerca de 40% dos valores pagos ao parecerista. Segundo o banco, o repasse ocorria por meio de outras duas empresas ligadas a Broedel, a Evam Consultores e a Broedel Consultores, sociedade que ele mantinha formalmente com Martins desde 2012. O banco pedia 3,35 milhões de reais em ressarcimento.

O juiz reconheceu que Broedel participou de operações nas quais tinha interesse pessoal, sem comunicar o conflito de interesse ao banco, e recebeu vantagem não autorizada em razão do cargo, configuração prevista no artigo 154 da Lei das Sociedades Anônimas. Por isso, anulou as aprovações de contas de Broedel nas assembleias de 2023 e 2024 e condenou o executivo e a Broedel Consultores a pagar 2,83 milhões de reais.

Uma parcela menor do pedido, referente ao exercício de 2021, foi negada por decadência já que o banco, segundo o juiz, levou tempo demais para contestar aquela aprovação específica. Broedel também cobrava do Itaú, em pedido próprio no mesmo processo, parcelas de remuneração variável que considerava devidas, mas o magistrado negou.

Na segunda ação, de março de 2025, o Itaú alegou que, de 40 pareceres contratados com a Care Consultores entre 2019 e 2024, apenas 20 haviam sido entregues, e pedia 6,645 milhões de reais pelos 20 restantes. O juiz considerou que o banco comprovou a falta de entrega de apenas quatro desses pareceres, cujo valor, 1,5 milhão de reais, já havia sido devolvido por Eliseu Martins em acordo à parte. Quanto aos outros dezesseis, o banco não provou quais atividades deixaram de ser prestadas nem o valor correspondente a cada uma, o que levou à improcedência do pedido contra Broedel.

Em nota enviada ao Bastidor, a assessoria de Broedel classificou o resultado como “vitória total” na ação sobre os pareceres. O texto também menciona que a defesa recorrerá da negativa da remuneração variável. (Leia a íntegra abaixo).

Leia a sentença:

Leia a íntegra da nota de Broedel:

Em uma de duas ações cíveis movidas pelo Itaú Unibanco, Alexsandro Broedel teve vitória total, quando a Justiça reconheceu que o banco não provou que os serviços de consultoria não foram prestados, algo que a instituição alegou repetidamente. Na outra ação, Broedel teve acolhida parcialmente sua defesa. Do total de cerca de R$ 10 milhões demandados pelo Itaú Unibanco, a Justiça determinou o pagamento de R$ 2,83 milhões ao banco. A defesa vai recorrer da decisão.

O Itaú Unibanco mencionou repetidamente esse montante de R$ 10 milhões ao longo de sua campanha para destruir a reputação do executivo quando ele se desligou do banco para assumir uma posição em instituição concorrente.

Sobre o suposto conflito de interesses, a defesa de Broedel reitera que o banco tinha conhecimento dessa relação e vai recorrer da decisão, insistindo que o Itaú Unibanco dê, finalmente, acesso aos documentos em que isso foi informado por Broedel, permitindo sua ampla defesa.

Também vai recorrer da decisão sobre a remuneração variável a que tem direito e que não foi paga pelo Itaú Unibanco.

Alexsandro Broedel reitera que sempre se conduziu de maneira ética e transparente ao longo dos 12 anos em que trabalhou no Itaú Unibanco e seguirá tomando todas as medidas judiciais para provar isso.