O PL não tem mais esperanças de disputar um mandato-tampão pelo governo do Rio de Janeiro. A decisão do presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, de retirar da pauta desta quarta-feira (19) o julgamento de duas ações sobre o formato de uma eventual eleição suplementar acabou com o resto de esperança do partido.
Para o PL, a eleição indireta seria a melhor alternativa. Nesse caso, como só os deputados estaduais poderiam votar, o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Douglas Ruas, seria eleito. Com o controle da máquina pública, ainda que por pouco tempo, o partido poderia impulsionar a campanha presidencial de Flávio Bolsonaro. Mas, com o adiamento no STF, essa alternativa não existe mais.
É a segunda vez que a definição sobre o comando do Palácio Guanabara fica sem desfecho no Supremo. O processo havia sido suspenso em abril, após um pedido de vista do ministro Flávio Dino. Nesta quarta, a Corte retirou o caso da pauta por priorizar o julgamento de um caso relativo à Lei Maria da Penha, que completou 20 anos no dia 7. O adiamento mantém o desembargador Ricardo Couto no comando interino do estado.
Douglas Ruas pediu duas vezes ao Supremo para assumir o governo, mas os pedidos foram negados pelo ministro Luiz Fux. Ruas é o candidato do PL ao governo. Levantamento da Genial/Quaest divulgado em 27 de julho mostra Ruas com 10% das intenções de voto no cenário estimulado principal, empatado com Anthony Garotinho (Republicanos) e atrás de Eduardo Paes (PSD), que tem 38%. Em simulação de segundo turno, Paes venceria Ruas por 52% a 16%.
O PL usa dois episódios recentes para sustentar a crítica. No Amazonas, depois que o governador Wilson Lima e o vice Tadeu de Souza deixaram os cargos em abril deste ano, o então presidente da Assembleia Legislativa, Roberto Cidade, assumiu o governo interinamente, seguindo a linha sucessória prevista na Constituição estadual. Em Roraima, após a cassação do então governador Antonio Denarium pelo Tribunal Superior Eleitoral, o presidente da Assembleia Legislativa, Soldado Sampaio, assumiu o Executivo pelo mesmo critério.
A diferença no caso do Rio é que o presidente da Assembleia Legislativa, Rodrigo Bacellar, estava afastado do cargo quando o governador Cláudio Castro deixou o governo, em março. Em seguida, Bacellar foi preso, suspeito de vazar operações sigilosas da polícia para o colega TH Jóias – este suspeito de ligação com o Comando Vermelho.

