O Partido Liberal anunciou nesta quarta-feira (5) que o candidato a vice-presidente na chapa de Flávio Bolsonaro à Presidência será o deputado federal Alfredo Gaspar, de Alagoas. A vaga sobrou para Gaspar depois de um longo processo, no qual todos os partidos do Centrão se negaram a apoiar Flávio e, assim, a fornecer um vice.

Gaspar migrou em março deste ano do União Brasil para o PL e foi relator da CPMI do INSS. Ele integra o grupo de aliados mais próximos de Flávio dentro do partido.

Em março, o deputado Lindbergh Farias, do PT, e a senadora Soraya Thronicke, do Podemos, protocolaram uma notícia de fato na Polícia Federal, na qual informavam que Gaspar era suspeito de ter praticado “estupro de vulnerável”.

Gaspar negou o fato. “Fui acusado de forma covarde, vil e abjeta, por membros do Partido dos Trabalhadores, de algo que não pratiquei. A cortina de fumaça, justamente no dia em que pedi a prisão do filho do presidente da República. O PT age assim”, disse. Na ocasião, ele publicou um vídeo nas redes sociais, no qual explicou que se tratava do relacionamento de um primo, exibiu declarações de uma mulher que dizia ser filha do primo e fez um exame de DNA para dizer que não estava relacionado ao caso.

Durante meses, Flávio buscou um vice – de preferência uma mulher, para ajudar a melhorar a imagem do candidato nessa faixa do eleitorado. A preferida era a senadora Tereza Cristina, do PP. Flávio anunciou publicamente que ela havia aceitado o convite, mas o plano foi travado na semana passada pelo PP – que, após consulta aos diretórios estaduais, decidiu manter neutralidade na disputa presidencial. 

A posição arrastou o União Brasil, parceiro do PP na federação União Progressista. Antes de Tereza Cristina, o nome da deputada federal Simone Marquetto, que migrou do MDB para o PP, também havia circulado entre aliados do PP em São Paulo, mas não avançou.

Daniella Marques, ex-presidente da Caixa Econômica Federal e filiada ao Republicanos, que faz parte da equipe econômica da campanha de Flávio, chegou a ser cogitada. Foi descartada porque o Republicanos também preferiu a neutralidade. A deputada federal Renata Abreu, presidente do Podemos, também foi avaliada pelo entorno do candidato e ficou fora pelo mesmo motivo.

Sem aliados fora do partido, a campanha buscou uma mulher dentro do próprio PL. As deputadas federais Greyce Elias, de Minas Gerais, e Bia Kicis, do Distrito Federal, foram avaliadas nessa fase. 

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro também chegou a ser mencionada, mesmo depois do rompimento público entre os dois em junho. Os dois fizeram gestos de reconciliação em julho, articulados por Valdemar Costa Neto, e Michelle foi oficializada no último domingo (2) pré-candidata ao Senado pelo Distrito Federal, disputa que segue à parte da chapa presidencial. Nenhum dos nomes femininos avançou para a vice.

A ala mais ideológica do PL, articulada por Eduardo Bolsonaro, defendia a deputada Julia Zanatta como alternativa que manteria a linha de mobilização digital do grupo. A campanha rejeitou a indicação por avaliar que um perfil identificado como radical poderia afastar o eleitor moderado e os indecisos.

Na noite de terça-feira, o senador Rogério Marinho, coordenador da campanha, passou a ser cotado como uma solução. Marinho, no entanto, sofre forte oposição do presidente do PL, Valdemar Costa Neto.

Com a chapa fechada, a campanha tem até o dia 15 de agosto para formalizar o registro no Tribunal Superior Eleitoral.