O Republicanos informou nesta quarta-feira (29) que o senador Cleitinho Azevedo não será seu candidato ao governo de Minas Gerais. Cleitinho é o favorito na disputa, de acordo com as pesquisas mais recentes. A decisão veio após meses de indefinição do senador sobre a candidatura, que culminaram em sua ausência na convenção estadual da legenda, no dia 25 de julho.
Em nota, o Republicanos afirma que manteve “diálogo aberto” com o senador, ofereceu “as condições políticas necessárias”, atraiu partidos aliados e adiou decisões estratégicas para preservar a viabilidade da candidatura de Cleitinho. Diz que a ausência dele na convenção representou “um fato político objetivo” que trouxe “consequências inevitáveis” e que partidos aliados precisaram reorganizar seus projetos diante da falta de confirmação. A legenda também sustenta que a candidatura exigia um compromisso claro do senador, que nunca foi substituído pelos “sinais contraditórios, sucessivos recuos ou indefinições” dos últimos meses.
Em seguida, a assessoria de Cleitinho disse que foi surpreendida pela divulgação da nota. Na terça-feira (28), Cleitinho publicou um vídeo produzido com inteligência artificial em que aparece conversando com o pai e com o irmão, já falecidos. Na gravação, ambos o incentivam a seguir em frente “sem olhar para a direita ou para a esquerda” e “fazer o que tem que ser feito”.
Na pesquisa Quaest divulgada na terça, Cleitinho aparece como líder absoluto na disputa pelo governo de Minas. No principal cenário, Cleitinho tem 35% das intenções de voto, contra 12% de Alexandre Kalil, do PDT, e 10% de Patrus Ananias, do PT. Nas simulações de segundo turno, Cleitinho aparece como favorito, com intenções de voto que variam entre 44% e 46%.
Apesar do favoritismo, Cleitinho nunca assumiu a candidatura e o Republicanos nunca confiou que ele faria isso. Em público, o senador repetia que decidiria no momento certo, sem assumir compromisso definitivo. De início, dizia que anunciaria sua posição depois do fim da Copa do Mundo, em 19 de julho. Adiou a decisão duas vezes e queria que o partido esperasse até o dia 5 de agosto.
Cleitinho e o presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira, nunca tiveram uma relação política próxima. A demora do senador em confirmar a candidatura impediu o vínculo. Em maio, Pereira havia estabelecido 19 de julho como prazo máximo para que Cleitinho decidisse se seria ou não candidato. Em junho, cobrou publicamente uma definição, dizendo que o senador ainda não sabia o que queria. No dia anterior à final do torneio, Cleitinho perdeu o irmão, Matheus Azevedo, vítima de leucemia, e o anúncio não ocorreu no prazo que ele mesmo havia estabelecido.
O desgaste com a cúpula nacional tinha outra frente. Cleitinho vinha se colocando publicamente contrário a filiação do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha ao Republicanos, que disputa uma vaga de deputado federal por Minas. Chegou a chamá-lo de “vagabundo” em manifestação pública no ano passado, o que resultou em um processo movido por Cunha contra o senador.
A indefinição de Cleitinho também pressionou o PL, que adiou sua convenção estadual de 23 para 27 de julho, na expectativa de que Cleitinho anunciasse a candidatura. Ao mesmo tempo, o Republicanos passou a avaliar internamente que o senador desistiria da disputa e a cogitar o apoio a uma candidatura do ex-secretário da Casa Civil de Minas Gerais Marcelo Aro, do PP, em aliança com o PL.
Procurada pelo o Bastidor, a assessoria de Cleitinho afirmou que ele disputará o governo do Estado, mesmo com a oposição do partido. Na prática, Cleitinho pode romper com a legenda sem comprometer o mandato de senador, mas eventual candidatura ao governo neste ano dependeria necessariamente do Republicanos, único partido que atende ao prazo em seu caso.
Leia a íntegra da nota do Republicanos sobre a candidatura do senador Cleitinho Aazevedo:
“O Republicanos de Minas Gerais, por meio do seu presidente, deputado Euclydes Pettersen, afirma que sempre tratou com entusiasmo, respeito e seriedade a possibilidade de o senador Cleitinho Azevedo disputar o Governo pela legenda. Este entusiasmo, porém, não foi correspondido até o dia da Convenção Estadual, ocorrida dia 25 de julho.
Durante meses, o partido manteve diálogo aberto, ofereceu as condições políticas necessárias, atraiu partidos aliados e aguardou uma definição clara do senador. Em razão dessa expectativa, diversas decisões estratégicas foram postergadas, justamente para preservar a viabilidade de sua eventual candidatura.
Entretanto, uma candidatura exige, antes de tudo, a decisão firme de quem pretende disputá-la. Tal decisão nunca aconteceu. Esse compromisso jamais pode ser substituído por sinais contraditórios, sucessivos recuos ou indefinições que acabam comprometendo a construção de um projeto coletivo.
A ausência do senador na Convenção Estadual do Republicanos – apesar das justificativas pessoais – representou um fato político objetivo, que produziu consequências inevitáveis. Diante da falta de confirmação de sua candidatura, partidos aliados precisaram tomar decisões e reorganizar seus caminhos, como é natural em qualquer processo eleitoral.
O partido trabalhou duro para que essa candidatura pudesse acontecer. O que faltou foi a decisão inequívoca de quem deveria ser, em primeiro lugar, candidato de si mesmo.
O Republicanos respeita a trajetória e o mandato do senador Cleitinho Azevedo, mas também tem o dever de conduzir seu projeto político com responsabilidade, previsibilidade e respeito aos candidatos a deputados federais e estaduais, seus filiados, aliados e à população mineira.
Os fatos falam por si. O partido esteve pronto. A candidatura, porém, nunca foi formalmente assumida por quem deveria liderá-la.”

