Poderoso em Brasília, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, enfrenta dificuldades em seu território político, o Amapá. Seu candidato a governador está longe do favorito nas pesquisas e seus aliados que disputam as duas vagas ao Senado também aparecem em má situação.

Davi Alcolumbre tem mandato até 2030, portanto não disputa a eleição em outubro. A disputa que o interessa acontecerá em fevereiro do ano que vem, quando senadores escolherão o presidente do Senado até 2029.

O principal adversário político de Davi Alcolumbre no Amapá é o ex-prefeito de Macapá, Dr. Furlan, que aparece hoje como amplo favorito na disputa pelo governo do estado. Segundo uma pesquisa da empresa Paraná Pesquisas divulgada nesta segunda-feira (15), Furlan tem 64,3% das intenções de voto no cenário estimulado, contra 26,1% do governador Clécio Luís, principal aliado de Alcolumbre. 

Na mesma pesquisa, os favoritos às duas vagas em jogo para o Senado são Rayssa Furlan, do Podemos, esposa do prefeito de Macapá, Dr. Furlan, e Lucas Barreto, do PSD, aliado de Furlan. 

O senador Randolfe Rodrigues, do PT, aliado de Alcolumbre, enfrenta um cenário desafiador na disputa por uma das vagas ao Senado. Em um cenário, ele aparece com 40,4% das citações, atrás de Rayssa Furlan, que lidera com 61,5%, e de Lucas Barreto, com 46,9%. No segundo cenário testado, a diferença se mantém: Randolfe registra 42,7%, enquanto Rayssa tem 64,3% e Lucas alcança 51,1%. 

O grupo do senador não tem ainda o segundo nome da chapa ao Senado, ao lado de Randolfe Rodrigues. O plano original era lançar Waldez Góes, ministro da Integração e Desenvolvimento Regional e aliado histórico de Alcolumbre. Lula, porém, decidiu manter Waldez no governo federal.

Sem o ministro, o grupo passou a procurar alternativas de última hora. Entre os nomes cotados estão o deputado federal Acácio Favacho, do MDB, e o vice-governador Teles Júnior, do PDT, que confirmou pré-candidatura ao Senado. Ambos estão distantes dos líderes nas pesquisas.

Apesar de o atual governador e nove dos 16 prefeitos serem seus aliados, Alcolumbre enfrenta um período de dificuldades. A rivalidade com Furlan deixou de ser apenas eleitoral e passou a envolver episódios de confronto político direto. Em março, surgiu uma gravação em que Alcolumbre orienta o prefeito interino de Macapá, Pedro DaLua, a ir pessoalmente ao Tribunal de Justiça conversar com um desembargador que julgaria uma ação contra Dr. Furlan. Na conversa, o senador chama o magistrado de “meu irmão” e afirma ter intermediado o encontro. DaLua responde dizendo estar “todo arrepiado” e oferece como reação política a abertura de duas CPIs contra o ex-prefeito.