O ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes enviou ao colega Alexandre de Moraes uma notícia-crime contra o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema, após a publicação de um vídeo feito com inteligência artificial que simula um diálogo entre Gilmar e Dias Toffoli. O caso foi encaminhado à Procuradoria-Geral da República e pode ser analisado no âmbito do inquérito das fake news.

A medida tem como base a divulgação, por Zema, de um vídeo publicado em suas redes sociais no dia 1º de março, em que um boneco que representa o ministro conversa com outro que simula o ministro Toffoli, com vozes que imitam as dos magistrados. A informação foi antecipada pela Folha de S.Paulo e confirmada pelo Bastidor.

Na notícia-crime, Gilmar afirma que o conteúdo “vilipendia não apenas a honra e a imagem deste Supremo Tribunal Federal, como também da minha própria pessoa” e sustenta que o vídeo utiliza “sofisticada edição profissional”e mecanismos de “deep fake” para simular falas inexistentes de integrantes da Corte. O Supremo não esclarece quais são os crimes imputados por Gilmar a Zema na notícia-crime.

O vídeo faz referência a uma decisão do próprio Gilmar Mendes que suspendeu a quebra de sigilos de uma empresa ligada à família do ministro Dias Toffoli, determinada pela CPI do Crime Organizado. Na ocasião, o ministro considerou que a medida extrapolava os limites da investigação e apontou “desvio de finalidade”.

Após receber a notícia-crime, Alexandre de Moraes, relator do inquérito das fake news, a encaminhou à Procuradoria-Geral da República, que ainda não se manifestou. Com isso, o órgão irá avaliar se há elementos para abertura de investigação no âmbito do inquérito. A tramitação ocorre sob sigilo.

O caso ocorre em meio às críticas de Zema ao Supremo. Em seu perfil, que reúne cerca de 2,6 milhões de seguidores, o conteúdo de crítica aos ministros já está no quarto episódio da série, que foi intitulada como “Os intocáveis”.

O ex-governador de Minas é pré-candidato à Presidência da República pelo Novo. Um dos pilares de sua campanha são as críticas pesadas aos ministros do Supremo.