Em violação à Lei das S.A., a Fictor Alimentos não divulgou o balanço financeiro de 2025 dentro do prazo exigido, que terminou na terça-feira (31). A infração soma-se a outras praticadas recentemente. Como mostrou o Bastidor, o conselho de administração da companhia opera com apenas um membro desde dezembro, em desacordo à regra do quórum mínimo legal.

A não divulgação do balanço, assim como o fato de o conselho da Fictor Alimentos operar com apenas um membro, pode gerar sanções. Nos dois casos, cabe à Comissão de Valores Mobiliários fiscalizar a conduta da companhia e aplicar a punição adequada.

Em comunicado ao mercado, a Fictor Alimentos atribuiu o atraso na divulgação do balanço ao fato de ter sido incluída no processo de recuperação judicial do grupo. Em relação ao conselho esvaziado, a companhia disse que convocou uma assembleia para 30 de abril para eleger dois novos conselheiros.

Única subsidiária do grupo Fictor listada na Bolsa brasileira, a Fictor Alimentos foi incluída no pedido de recuperação judicial após pressão de credores. Em fevereiro, o grupo apresentou o pedido alegando dívida de 4,2 bilhões de reais. Inicialmente, apenas duas empresas foram incluídas no processo. Hoje, são 42 empresas além da Fictor Holding.

Por reunir a maior parte da operação não financeira do grupo, como a produção de aves e porcos, a Fictor Alimentos é vista pelos credores como um ativo com valor real. Existia a expectativa entre eles de que a publicação do balanço mostrasse alguma geração de caixa no ano passado. Sem a divulgação, as informações mais recentes sobre a saúde financeira da empresa são as do relatório elaborado pela perícia judicial pedida pela Justiça de São Paulo para decidir se aceita ou não o pedido de recuperação judicial.

O documento mostra que a Fictor Alimentos teve prejuízo de 11,35 milhões de reais em 2025. Ao mesmo tempo, afirma que a companhia tem 19,9 milhões de reais a receber por vendas já realizadas e outros 14 milhões de reais em produtos estocados. O patrimônio líquido da companhia é de 50,9 milhões de reais.

O pedido de RJ da Fictor aguarda decisão da Justiça de São Paulo. Em 19 de março, a Laspro Consultores, responsável pela perícia, recomendou que a Justiça aceite o pedido. O relatório final diz que, apesar de inconsistências contábeis, o grupo cumpre os requisitos legais para seguir no processo.

A Fictor repete o procedimento do BRB, que também não divulgou balanço dentro do prazo. A empresa e o banco público se envolveram em tentativas distintas de compra do Banco Master, em novembro.