A seccional de Brasília da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-DF) pediu explicações ao governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, sobre a inclusão de um terreno de 716 hectares no plano de reestruturação e capitalização do BRB. Localizada no setor conhecido como Serrinha do Paranoá, a área é avaliada em 2,2 bilhões de reais.
Segundo a OAB-DF, o terreno tem diversas pendências jurídicas, ambientais e urbanísticas que precisam ser resolvidas. Mesmo assim, Ibaneis incluiu o local na lei que regulamentou a transferência dos imóveis para um fundo imobiliário gerido pelo BRB, para reforçar seu caixa após prejuízos causados por negócios com o Banco Master. A entidade quer saber quais estudos embasaram a decisão.
Ibaneis Rocha foi citado pelo dono do Master, Daniel Vorcaro, como um de seus principais interlocutores. Sob sua concordância, o BRB comprou do Master uma carteira de créditos de 12 bilhões de reais, que se mostraram inviáveis. Agora, por exigência do Banco Central, o BRB busca se recapitalizar para cobrir o prejuízo em seu caixa.
O terreno equivale a quase um terço do valor do fundo ao qual o BRB terá direito de explorar, inclusive com a venda da área. A OAB-DF afirma, porém, que boa parte do espaço fica em área de preservação ambiental e abriga nascentes dos córregos Urubu e Jerivá, que compõem a reserva hídrica do Lago Paranoá.
Em uma nota técnica anexada ao pedido de explicações, a OAB-DF afirma que a eventual venda e loteamento da área da Serrinha pode gerar prejuízos ambientais irreparáveis às nascentes da região. O documento lembra que a área já é alvo de ocupações irregulares, incluindo um condomínio residencial, que despeja esgoto irregularmente nos córregos que cortam o terreno.
O Governo do Distrito Federal foi procurado pelo Bastidor, mas não comentou sobre os questionamentos feitos da OAB-DF.

