Na reunião de líderes na Câmara, horas antes da aprovação do PL Antifacção, na noite de segunda-feira (23), o deputado Dr. Luizinho, líder dos Progressistas, o PP, atuou para livrar as bets de um novo imposto. Com o apoio do União Brasil, Luizinho pressionou para que fosse retirada do texto a criação de uma taxação extra de 15% sobre apostas, cuja arrecadação seria usada para financiar o Fundo Nacional de Segurança Pública e o combate ao crime organizado.

Segundo fonte ouvida pelo Bastidor, Luizinho avisou que, caso o trecho não fosse excluído e apresentado como destaque, os dois partidos votariam contra o texto e buscariam retomar o texto original, sem as alterações negociadas pelo relator, deputado Guilherme Derrite, do PP de São Paulo, com o ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva.

No ano passado, o texto de Derrite deformou a proposta original e foi rechaçado pelo governo. Aprovado, foi bastante modificado no Senado. Na volta à Câmara houve um acordo entre governo e o presidente da Câmara, Hugo Motta, para que Derrite fosse o relator, mas respeitasse o texto do Senado, com poucas modificações. Foi esse acordo que os dois maiores partidos do Centrão colocaram em xeque na reunião.

Chamado de Cide-Bets, o novo imposto de 15% seria cobrado até 2027, quando passa a vigorar o Imposto Seletivo criado na reforma tributária. O governo afirma que o imposto poderia gerar até 30 bilhões de reais por ano. A ação de PP e União Brasil ainda livrou as bets da obrigação de pagarem impostos atrasados e de serem sujeitas a outras medidas de fiscalização.

Os líderes de PP e União Brasil pressionaram ainda para que PSOL e PT não apresentassem destaques sobre o tema. A ação de Luizinho e do União Brasil teve o apoio do presidente da Câmara, Hugo Motta, do Republicanos, que defendeu a votação do tema em separado. Os líderes governistas concordaram. No plenário, o PP apresentou destaque para retirar a taxação das bets do parecer, que foi aprovado em votação simbólica, uma forma de os deputados não serem identificados.

A bancada do PT pretende apresentar um projeto para elevar a tributação sobre as bets. Apesar de concordar com a votação em separado, integrantes do Centrão articulam para que o novo texto não seja pautado e não avance na Câmara.

O Bastidor procurou os líderes do PP e do União Brasil para que apresentassem suas versões do episódio, mas não houve retorno.