Conhecido pela proposta de compra do Banco Master, o grupo Fictor protocolou no domingo (1º) um pedido de recuperação judicial no Tribunal de Justiça de São Paulo. O pedido abrange a Fictor Holding e a Fictor Invest e exclui as subsidiárias operacionais. Segundo a petição, a dívida supera 4,2 bilhões de reais.
Em comunicado divulgado nesta segunda-feira (2), a Fictor afirma que “a medida busca criar um ambiente de negociação estruturada e com tratamento isonômico, que possa garantir a continuidade das atividades de forma sustentável”.
A empresa atribui a medida a uma crise de liquidez. Afirma que o problema não decorre de inviabilidade econômica estrutural, mas de um choque reputacional que levou a uma corrida por retiradas de capital e desorganizou o fluxo de caixa do grupo.
A petição afirma que o choque reputacional começou após o anúncio, em novembro de 2025, da intenção de compra do Banco Master pelo grupo. Na época, a Fictor disse que compraria o banco de Daniel Vorcaro, juntamente com investidores árabes, por 3 bilhões de reais.
Os advogados do grupo sustentam que, depois do anúncio, houve retração de parceiros, revisão de contratos e perda de confiança, além de uma corrida por pedidos de retirada de capital nas Sociedades em Conta de Participação (SCPs), contratos em que investidores aplicam recursos num negócio administrado por outro sócio.
A Fictor pediu tutela de urgência para suspender execuções e bloqueios por um período inicial de 180 dias. Uma decisão judicial já determinou o bloqueio de 150 milhões de reais. A Fictor afirma que, sem a tutela, decisões em ações individuais podem esvaziar o patrimônio do grupo e frustrar o objetivo coletivo da recuperação judicial. A petição diz que apenas três ações na Justiça, somadas, pedem o bloqueio de 800 milhões de reais.
Segundo o advogado Carlos Deneszczuk, do escritório DASA Advogados, que coordena o pedido, os ativos operacionais seguem funcionando e a base produtiva permanece relevante, apesar da pressão de curto prazo. O grupo é formado pelas subsidiárias Fictor Alimentos, Fictor Infraestrutura, Fictor Energia, Fictor Real Estate e FictorPay. A primeira é listada em Bolsa.
Nos últimos meses, o grupo passou a ser alvo de órgãos reguladores e de críticas de investidores. A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) começou a questionar a atuação da Fictor após denúncias encaminhadas por entidades do setor financeiro. O foco das apurações é justamente a forma como a empresa ofertou contratos de SCPs.
Além disso, a companhia não tem pago investidores de forma regular desde o fim do ano passado. Havia expectativa de que os pagamentos ocorressem a partir do dia 12 de fevereiro, mas o pedido de recuperação judicial impedirá isso.

