O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, determinou a realização de mais oito depoimentos relacionados às investigações da operação Compliance Zero. As oitivas devem ocorrer na sede da corte, sob a tutela do gabinete do magistrado, algo incomum para casos que ainda estão na fase de inquérito.
A decisão foi divulgada na noite desta terça-feira (20). Os depoimentos ocorrerão nos dias 26 e 27 deste mês. As datas foram solicitadas pela Polícia Federal que, inicialmente, havia solicitado quatro dias para ouvir todos. Porém, o ministro interveio e obrigou os policiais a concentrar os procedimentos em apenas duas datas.
Esta é a segunda vez que a colheita de depoimentos relacionados às fraudes no Banco Master são realizadas dentro do STF. No fim de dezembro, Toffoli colocou frente a frente o dono do Master, Daniel Vorcaro, o ex-presidente do BRB (Banco de Brasília) Paulo Henrique Costa e o diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino Santos.
Serão ouvidos os seguintes investigados:
- Dário Oswaldo Garcia Junior, ex-diretor financeiro do BRB;
- André Felipe de Oliveira Seixas Maia, diretor da Tirreno Consultoria e dono da fintech Cartos;
- Henrique Souza e Silva Peretto, sócio de André Felipe na Tirreno;
- Alberto Felix de Oliveira, superintendente de tesouraria do Master;
- Robério Cesar Bonfim Mangueira, superintendente de operações financeiras do BRB;
- Luiz Antonio Bull, sócio e ex-diretor do Master;
- Angelo Antonio Ribeiro da Silva, sócio do Master;
- e Augusto Ferreira Lima, sócio do Master.
A condução dos inquéritos por Toffoli tem sido alvo de críticas de setores da Polícia Federal. No último fim de semana, a Associação Nacional dos Delegados da Polícia Federal (ADPF) divulgou nota em que reclamou da atuação do ministro, classificando-a como “atípica”. O magistrado, por sua vez, também já fez críticas aos investigadores, quando reclamou da demora para a deflagração da segunda fase da Compliance Zero.