Duas atitudes do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, na condução da investigação sobre a venda do Banco Master para o BRB geraram incômodo entre delegados da Polícia Federal.

A primeira é a exposição midiática da delegada Janaina Palazzo, responsável pelo inquérito. Em nota enviada à imprensa na terça-feira (30), o gabinete do ministro informou apenas que uma “delegada da PF” colheria os depoimentos. Delegados ouvidos por Bastidor, porém, atribuem a divulgação do nome aos métodos adotados por Toffoli na condução do processo.

Preservar os nomes de delegados envolvidos em investigações — especialmente as mais sensíveis — é um dos principais objetivos da gestão do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues. A justificativa é evitar a espetacularização de autoridades policiais e coibir tentativas de aliciamento político dos servidores.

Nas investigações sobre a tentativa de golpe de Estado, por exemplo, o nome do delegado-chefe do inquérito, Fábio Shor, foi mantido em sigilo por um longo período. Em decisões que se tornaram públicas, a identificação era suprimida.

A segunda atitude que incomodou delegados é o teor de ordens de Toffoli, consideradas fora do padrão de investigação da PF. Entre elas, a realização de depoimentos nas dependências do STF e a elaboração de perguntas por parte do ministro do STF durante uma oitiva em um inquérito policial — procedimento que, pela tradição da corporação, exige autonomia investigativa do delegado. Por esse motivo, a delegada Palazzo registrou em documento quais perguntas partiram dela e quais questionamentos foram formulados por Toffoli.

Na terça-feira (30), a PF colheu os depoimentos do presidente do Banco Master, Daniel Vorcaro; do ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa; e do diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino Santos.

Fora do padrão usual, o trio depôs na sede do STF, acompanhado por advogados. As oitivas ocorreram na presença do juiz auxiliar do gabinete de Toffoli Carlos Vieira Adamek e do subprocurador-geral da República Joaquim Cabral da Costa Neto.

Vorcaro começou a depor por volta das 14h e seguiu até cerca de 16h. Paulo Henrique prestou depoimento até o fim da tarde, por volta das 18h. Já Ailton iniciou sua oitiva por volta das 19h.

Foram identificadas contradições entre os depoimentos de Vorcaro e Paulo Henrique. Os dois foram colocados em acareação, com a concordância da delegada e do juiz auxiliar do gabinete de Toffoli. A sessão encerrou-se por volta das 21h30.