Em uma espécie de pacotão de benevolência, a Câmara manteve na noite de quarta-feira (10) os mandatos dos deputados Glauber Braga, do PSOL do Rio, e Carla Zambelli, do PL de São Paulo. Por motivos distintos, de partidos radicalmente opostos, ambos escaparam da cassação. No caso de Zambelli, no entanto, a perda do mandato é questão de tempo.
Por 227 votos a favor e 170 contra, a Câmara decidiu manter o mandato de Carla Zambelli, condenada a dez anos de prisão pelo Supremo Tribunal Federal e presa na Itália. Em agosto, Zambelli também foi condenada por outro crime, porte ilegal de arma. Com a ajuda dos colegas, Zambelli deve perder o mandato por faltas.
Zambelli, do PL de São Paulo, foi condenada pela invasão e adulteração do sistema do Conselho Nacional de Justiça em parceria com o hacker Walter Delgatti. Foi condenada também por perseguir com uma arma em punho um homem com quem se desentendeu pelas ruas de São Paulo na véspera do segundo turno de 2022. Zambelli espera sua extradição em uma prisão na Itália.
O argumento corporativista “hoje é Zambelli, amanhã pode ser qualquer parlamentar” falou mais alto no plenário. Deputados usaram o caso de Zambelli para demonstrar insatisfação com o o Supremo Tribunal Federal.
Glauber escapa
Contrariando as expectativas até do PSOL, um acordo entre a esquerda e o Centrão salvou o mandato do deputado Glauber Braga. Um destaque foi apresentado pelo líder do governo, Lindbergh Farias (PT-RJ), para trocar a punição de perda do mandato por suspensão de seis meses. Os partidos do Centrão liberaram suas bancadas e o acordo foi aprovado por 318 votos a 141. Até mesmo o PSOL teve de votar pela suspensão.
Glauber foi acusado de empurrar, expulsar e chutar um integrante do MBL durante uma confusão no Congresso, em 2024. Em abril, o Conselho de Ética já havia aprovado a cassação e, em reação, Braga fez uma greve de fome de alimentos sólidos por mais de uma semana. Parlamentares do PSOL e o próprio Braga avaliam que a decisão de uma cassação, considerada por eles “exagerada”, tem relação com o ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP-AL), com quem o deputado acumulou desavenças ao longo da gestão.

