O plenário do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou, nesta quarta-feira (10), a fusão entre as duas maiores redes de produtos para animais de estimação, Petz e Cobasi. A decisão foi condicionada à assinatura de um Acordo em Controle de Concentração (ACC), que, na prática, obrigará as empresas a vender 26 lojas no estado de São Paulo como forma de mitigar riscos concorrenciais.

A Petlove, terceira maior varejista do setor, atuou como terceira interessada no processo e defendeu a reprovação da operação nas fases iniciais da análise. Nos últimos meses, porém, passou a avaliar positivamente a adoção de remédios estruturais. Durante a sessão desta quarta, o presidente do Cade, Gustavo Augusto Freitas de Lima, afirmou que a empresa já demonstrou intenção de adquirir parte das unidades que serão colocadas à venda. “Acho que estamos dentro da boa técnica”, afirmou.

A análise da operação começou em maio do ano passado. A conselheira Camila Cabral criticou pontos metodológicos dos estudos conduzidos pelo Departamento de Estudos Econômicos (DEE), afirmando que, mesmo com os remédios propostos, “sobraram muitos problemas, muitas reflexões a fazer”, entre eles uma possível superestimação da força das rivais.

A maioria do plenário acompanhou o voto do relator, José Levi, que defendeu a adoção do remédio de desinvestimento de ativos concentrados em São Paulo, alinhados ao modelo econômico apresentado pelo Departamento de Estudos Econômicos (DEE) e inspirados em um precedente italiano. “Pode não ser perfeito, mas aí eu sigo uma lógica que eu aprendi na academia: o ótimo é inimigo do bom”, disse Levi.

Ele afirmou que, embora pessoalmente se inclinasse pela aprovação sem restrições, posição pela Superintendência-Geral, buscou seguir a abordagem mais ortodoxa adotada pelo colegiado, com foco em riscos concorrenciais locais.