A insatisfação do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, com a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, em vez do senado Rodrigo Pacheco ao Supremo Tribunal Federal, pode custar 21 bilhões de reais extras aos cofres públicos até 2030. Este gasto virá na forma do projeto que concede aposentadoria especial a agentes de saúde, que Alcolumbre anunciou que colocará em votação em represália à escolha do presidente Lula.
Aprovado pela Câmara no mês passado, o projeto permite que agentes comunitários de saúde e agentes de combate às endemias se aposentem aos 50 anos (mulheres) ou aos 52 anos (homens), com benefício igual ao último salário e reajustes integrais sempre que a categoria ativa tiver aumento.
O texto contraria a reforma da Previdência, que elevou a idade de aposentadoria dos trabalhadores para evitar um colapso das contas públicas. Ao mesmo tempo, cria uma dificuldade extra para o governo cumprir as regras do arcabouço fiscal.
Por meio de assessores e aliados, Alcolumbre anunciou também que rompeu com o líder do governo no Senado, Jaques Wagner, a quem acusa de não o ter avisado antes da escolha do presidente e de ter feito campanha por Jorge Messias.
A partir do anúncio do presidente, Jorge Messias deverá começar a campanha pessoal de visitas a senadores. Ele será sabatinado na Comissão de Constituição e Justiça do Senado. Terá de ser aprovado também
pelo plenário, com os votos favoráveis de ao menos 41 senadores. O início e o andamento desse processo dependerá, em larga medida, de Alcolumbre.
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