A investigação da Polícia Federal sobre o maior roubo ao sistema financeiro do país revelou que a quadrilha utilizava uma rede de laranjas para ocultar bens comprados com dinheiro de fraudes. A operação Magnas Fraus, deflagrada em 30 de outubro, mirou ao menos seis laranjas que participaram do esquema. Cinco deles foram presos.
Os laranjas eram cônjuges ou amigos dos integrantes da quadrilha. Ao todo, a PF apreendeu 25 imóveis, 15 carros de luxo, e diversos itens de luxo (relógios, bolsas e jóias). A polícia trabalha com a hipótese de que parte dos bens foi adquirida com dinheiro obtido em fraudes anteriores ao roubo.
Documentos da investigação obtidos pelo Bastidor mostram que um dos chefes do roubo, Ítalo Jordi dos Santos Pireneus, Breu, após fugir para Madri, na Espanha, deixou seus imóveis e veículos sob responsabilidade do irmão, Fernando Otávio Silva Souza, e de uma amiga, Sirlaine Viana da Silva, auxiliar de autópsia do Instituto Médico Legal (IML) de Goiânia. Na apuração, os dois são enquadrados como laranjas.
Com auxílio de drone, a PF localizou em Goiânia um carro Mercedes-Benz C300, avaliado em mais de 600 mil reais, na casa de Vanda Viana Silva, mãe de Sirlaine. O veículo está registrado no nome de Fernando Otávio, mas pertence a Breu. Fernando Otávio foi preso em 30 de outubro por ser o principal administrador dos negócios adquiridos pelo irmão com dinheiro obtido com fraudes.

Sirlaine foi alvo de um mandado de busca e apreensão ao desembarcar no aeroporto Santa Genoveva, em Goiânia, no dia 30 de outubro. Na decisão que autorizou o sequestro dos bens de Breu, a Justiça de São Paulo incluiu a apreensão do veículo e de buscas na casa da servidora pública e de sua mãe.
Os policiais investigam um aumento no padrão de vida de Sirlaine no último ano, incompatível com sua renda de servidora pública, em torno de 13 mil reais mensais. Em seu apartamento em Goiânia, a PF apreendeu uma quantia em dinheiro em espécie. Não há informações se Sirlaine recebeu dinheiro do roubo de forma direta.
Ao contrário da atuação de Otávio e Sirlaine, que geriam os bens de Breu, Thaís Penalva Lima, sua esposa, atuava como laranja nas operações financeiras. Ela também foi presa na última fase da operação Magnas Fraus. A investigação aponta que Thaís recebeu mais de 1,3 milhão de reais de Otávio em transferências via PIX. Além disso, ela participou de todos os momentos do roubo: desde da hospedagem ao hotel Royal Tulip, em Brasília, à fuga em um voo fretado para a Argentina. Para os investigadores, isso caracteriza sua participação no esquema.
Wesley Nascimento de Jesus, o Spider, também usava as contas bancárias no de sua esposa, Dheny Miranda de Oliveira, para operar o dinheiro das fraudes. Ela recebeu mais de 700 mil reais de Fernando Otávio, irmão de Breu, entre 2023 e 2025. Para a investigação, a quantia corresponde à parte de Spider em outros golpes da quadrilha.
A PF também aponta Beatriz da Silva Oliveira como uma laranja do roubo por receber 540 mil reais em três transferências PIX em contas mantidas na Soffy, fintech central usada na execução da fraude. Beatriz aparece com ligação a outros integrantes da quadrilha, como Marcos Paulo Pereira de Oliveira, o Leitão, apontado como destinatário final dos 540 mil reais, e que auxiliou na dispersão na segunda camada da lavagem do dinheiro. Ele está foragido.
Em nota, a Polícia Científica do Goiás informou não ter conhecimento do envolvimento de Sirlaine Vieira da Silva com a quadrilha e que não há indício de participação dela. Clique aqui para ler a íntegra.
O Bastidor tenta contato com as defesas dos envolvidos.

