Licenciado da Secretaria de Segurança de São Paulo para relatar o PL Antifacção, o deputado Guilherme Derrite, do PP, encontrou um terreno pior que o esperado. Está na incômoda posição de ter de fazer concessões ao governo em seu texto e ser criticado pela oposição, da qual faz parte, por essa atitude.
Na versão mais recente do seu parecer, Derrite retirou dois dos pontos mais contestados pelo governo: a equiparação de organizações criminosas ao terrorismo e a limitação da atuação da Polícia Federal, que ficaria condicionada a pedidos de governadores. Mesmo assim, a ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, pressiona por mais mudanças.
Parlamentares da oposição demonstraram insatisfação. Afirmam que, houve um “afrouxamento” nos trechos alterados por Derrite, “agradando” o governo. De início, a proposta da oposição era equiparar os integrantes das facções a terroristas. Outro objetivo era aumentar o protagonismo dos governos estaduais no combate às facções.
Diante da situação, os governadores de oposição – Ronaldo Caiado (Goiás), Cláudio Castro (Rio), Romeu Zema (Minas Gerais) e Jorginho Mello (Santa Catarina) – pediram nesta quarta-feira (12) ao presidente da Câmara, Hugo Motta, o adiamento da votação do projeto por 30 dias para pensar melhor.
Derrite argumentou que o projeto não busca “classificar as organizações criminosas como terroristas em sentido estrito”, mas reconhecer que certas condutas produzem efeitos semelhantes aos atos de terrorismo.
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