A Polícia Federal suspeita que, mesmo detido, o lobista Andreson Gonçalves manteve em funcionamento o esquema de venda de sentenças em tribunais estaduais e no Superior Tribunal de Justiça.
Gonçalves foi preso preventivamente em novembro do ano passado. Ficou detido em Mato Grosso, depois foi transferido para a Papuda, em Brasília. Em julho, o ministro Cristiano Zanin, relator do caso no Supremo Tribunal Federal, autorizou o cumprimento da prisão domiciliar após a defesa do lobista alegar problemas de saúde.
Na semana passada, Zanin determinou que a PF cumprisse um mandado de busca e apreensão na casa do lobista em Primavera do Leste, no Mato Grosso.
Na ocasião, foi preso o policial militar aposentado Dejair Silvestre dos Santos, que tentou esconder um celular atribuído a Anderson durante a operação. Ele fazia a segurança do lobista e foi detido por obstrução de justiça. Zanin converteu a prisão do PM aposentado em preventiva.
A PF diz ter indícios de que Gonçalves descumpriu as medidas cautelares. Suspeita que, desde que foi para prisão domiciliar, o lobista voltou a manter contato com outras pessoas investigadas em Brasília pelo mesmo esquema.
A PF quer saber se Gonçalves mantém contato, por exemplo, com o empresário Diego Cavalcante Gomes, preso na mesma investigação por obstrução de justiça. Relatório da PF concluiu que Cavalcante tentou destruir provas ao arremessar um celular pela janela. Ele foi indiciado pela PF, mas sua prisão foi revogada.
Quando autorizou a busca e apreensão na casa de Gonçalves, Zanin também requereu uma perícia médica para avaliar a saúde de Gonçalves, que chegou a perder 20 quilos quando estava na Papuda.
O Bastidor não conseguiu contato com os advogados de Gonçalves e do PM aposentado.
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