O grupo Ambipar conseguiu proteção judicial contra credores pelos próximos 30 dias. A decisão, proferida no início da manhã desta quinta-feira (25) pelo juiz Leonardo de Castro Gomes, da 3ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro, garante a prorrogação do prazo de blindagem por igual período.

O pedido do grupo Ambipar, assinado pelos escritórios Galdino Advogados e Salomão Advogados, engloba 165 empresas. Foram contratados quatro administradores judiciais para lidar com o caso: VPJ Administração Judicial; Neves, Figueiredo, Cerqueira e Souza Advogados: Gomes de Mattos Advogados Associados; e Carapetcov Administração Judicial.

No pedido, a Ambipar afirma que o Deutsche Bank tem cobrado 60 milhões de reais em garantias ligadas a 550 milhões de dólares em dívidas, entre empréstimos e contratos de swap cambial, contraídas pela subsdiária Ambipar Lux. O vencimento da dívida seria na sexta-feira (26) e o banco alemão poderia exigir o pagamento total do valor devido em caso de inadimplência.

Segundo a Ambipar, essas cobranças afetaram em 200 milhões de reais o caixa do grupo, pois outros credores passaram a exigir pagamentos antecipados. Um deles foi o Santander, que pretendia receber uma dívida de 119 milhões de dólares hoje.

A persistência da situação, afirma a Ambipar, criará uma situação em que o vencimento das dívidas do grupo irá coincidir, obrigando o dispêndio de 10 bilhões de reais, que resultará na insolvência. O grupo fatura atualmente 6,4 bilhões de reais, atua em 40 países e tem 24 mil funcionários.

As dívidas da Ambipar são resultado das 42 compras de empresas entre 2020, ano em que o grupo seu abriu seu capital na bolsa, e 2022. Em agosto de 2024, o grupo vendeu 717 milhões de reais em veículos para pagar seus débitos. Substituiu os bens com contratos de leasing assinados com John Deere e Addiante.

Até o meio-dia de hoje, as ações da Ambipar deixaram de ser negociadas três vezes e registravam desvalorização de 50%. Na quarta-feira (24), os papéis fecharam o pregão desvalorizados em 10%. As quedas são resultado da blindagem judicial concedida e da troca da direção financeira da companhia, na segunda-feira (22), com João de Arruda dando lugar a Ricardo Garcia, que acumulará a função com a de diretor de relações com investidores.

Imbróglio na CVM

Até pouco tempo, o grupo Ambipar estava na mira da Comissão de Valores Mobiliários por conta de operações feitas pela gestora Trustee DTVM. A CVM chegou a propor que a Trustee fizesse uma oferta de compra de ações aos seus acionistas minoritários, após gestora usar fundos de Nelson Tanure comprar papéis da companhia entre julho e agosto.

A operação foi feita pela Trustee no mesmo momento em que o controlador da Ambipar, Tércio Borlenghi Junior, tomou atitude similar. O movimento conjunto de compra fez com que as ações da Ambipar saíssem de uma queda de 20,62% para uma alta de 338,52%.

Apesar das discussões sobre a legalidade do movimento, a CVM contrariou sua área técnica e desistiu de exigir a oferta de compra aos minoritários num julgamento considerado estranho por ter contabilizar os votos do presidente interino, Otto Lobo, e daquele que renunciou ao cargo, João Pedro Nascimento, que justificou sua saída alegando motivos pessoais.

Antes de deixar o cargo que ocupou por três anos, Nascimento seguiu o entendimento da área técnica. Foi acompanhado pela diretora da CVM Marina Copola, mas Lobo e o também diretor da CVM João Carlos de Andrade Uzêda Accioly divergiram da dupla. O empate fez com que o presidente interino desse o voto de minerva que livrou a Ambipar.

O diretor André Francisco Luiz de Alenxar Passaro participou da sessão, mas não votou por ter assumido a cadeira que pertencia a Nascimento. Conforme relatado no próprio acórdão do julgamento, sua presença naquele momento garantiu apenas o quórum exigido para a retomada das discussões.

Ambipar sob lupa

O Bastidor já mostrou que atividades da Ambipar foram questionadas no Congresso e no Tribunal de Contas de Pernambuco. Em Brasília, o questionamento tratou de acordo firmado com o Ministério dos Povos Indígenas em janeiro, para gerir uma área de 1 milhão de km². Já o TCE-PE analisou contrato firmado com o governo pernambucano para coletar lixo em Fernando de Noronha.

Clique aqui para ler a decisão que blindou a Ambipar dos credores e aqui para ler o pedido do grupo à Justiça do Rio de Janeiro.

Para receber nossas notícias, clique aqui e acesse o canal do Bastidor no WhatsApp.

Notícia alterada às 11h03 de 26 de setembro de 2025, para correção e acréscimo de informações sobre o julgamento relacionado à Ambipar na Comissão de Valores Mobiliários: Ao contrário do que foi informado, Marina Copola concordou com a área técnica da CVM, João Acciolly acompanhou a divergência e André Passaro não votou. Foi acrescido ainda que o ex-presidente da CVM João Pedro Nascimento também acompanhou a área técnica e o motivo de Passaro não ter votado.