A transformação do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), em um bolsonarista raiz na manifestação de domingo, na avenida Paulista (7), se deve unicamente à necessidade de agarrar a oportunidade de ser escolhido por Jair Bolsonaro como candidato à presidência da República no ano que vem. A avaliação foi feita ao Bastidor por articuladores políticos próximos de Bolsonaro.

Na conversa que teve com o ex-presidente no mês passado, Tarcísio ouviu que precisava dar uma sinalização forte para os bolsonaristas -parte desse público considera Tarcísio moderado demais. E que o momento ideal era justamente nas semanas que marcam o julgamento de Bolsonaro por tentativa de golpe no Supremo Tribunal Federal.

Por isso, o governador criticou veemente o ministro Alexandre de Moraes, a quem chamou de “tirano”, e pressionou o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos), a pautar o projeto de lei que trata da anistia de Bolsonaro e dos condenados pelo 8 de janeiro.

O discurso na Avenida Paulista no domingo (7) não muda em nada o desfecho do julgamento, na avaliação do entorno de Bolsonaro. Mas serviu para confirmar a disposição de Tarcísio de agir como Bolsonaro.

Há meses, o governador é pressionado pelo entorno do ex-presidente a adotar uma postura mais incisiva contra o STF, com quem mantém diálogo. Os filhos de Bolsonaro – Flávio, Eduardo e Carlos – sempre criticaram a falta de radicalismo do governador. Tarcísio resistia por temer perder a interlocução com os ministros.

Após o discurso de ontem, o ministro Gilmar Mendes respondeu ao governador. Numa rede social, escreveu que “o Brasil realmente não aguenta mais são as sucessivas tentativas de golpe que, ao longo de sua história, ameaçaram a democracia e a liberdade do povo”.

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