As investigações que redundaram na operação sobre o uso de fundos de investimento na lavagem de dinheiro do esquema de fraude de combustíveis associado ao PCC expõem a atuação do empresário Guilherme Ali de Paula e de seu pai, Maurício Ali de Paula.

Em setembro de 2024, o Bastidor revelou a ligação de Maurício com a Copape, empresa investigada por suspeita de ligação com o PCC, e consequentemente, com Mohamad Hussein Mourad, um dos líderes do esquema alvo das operações desta quinta-feira (28).

Tão logo a matéria foi ao ar, no dia 30 de setembro de 2024, Maurício recorreu à Justiça de Mato Grosso e conseguiu que a reportagem fosse retirada do ar no site e nas redes sociais. Cabe recurso.

Nos documentos que fundamentaram as investigações, Maurício aparece como o coordenador financeiro da Amapapetro, empresa de importações usada para dar suporte ao grupo Mohamad.

A Amapapetro é tida como peça-chave no setor de combustíveis, com conexões diretas a distribuidoras sob investigação — Aster, Duvale, Arka, Petroworld e Everest. Além disso, a empresa mantinha vínculos financeiros relevantes com o Fundo Zeus, outro veículo acusado de servir à lavagem de capitais.

Maurício também tinha relações estreitas com Alan de Souza Yang, personagem ligado ao Fundo Zeus. A Justiça enfatiza que havia “fortes e relevantes conexões entre a família Ali de Paula, o grupo Yang e o grupo Mohamad”.

Já seu filho Guilherme é identificado como cofundador do grupo BSO, ao lado de Cleiton Santos Santana. Ele aparece como administrador do Atena Fundo de Investimento em Participações Multiestratégia, que se tornou sócio da Stronghold Infra Investments — empresa responsável pela aquisição da Liquipar, vencedora do leilão do terminal PAR50, no Porto de Paranaguá.

O documento ressalta a suspeita de que 67% das cotas do Fundo Atena pertencem ao grupo de Mohamad, o que ligaria diretamente as operações portuárias ao esquema criminoso. Guilherme também é descrito como proprietário do Grand Bank, instituição financeira que recebeu alto fluxo de recursos da SM Serviços Empresariais EIRELI, classificada pela Receita como “shell company” usada para lavagem de dinheiro.

Além disso, a investigação mostra que Guilherme e o advogado Lucas Pimentel receberam valores significativos da SM Serviços Empresariais, reforçando o elo entre ele e o núcleo duro do grupo de Mohamad.

Outro lado

O Bastidor procurou Maurício e Guilherme.  O pai negou ter qualquer ligação com a Amapapetro. Na primeira matéria do Bastidor, no ano passado, ele também não confirmou ter contato com a Copape.

Guilherme afirmou ser dono do Grand Bank, mas disse desconhecer “negociação” sobre ter recebido dinheiro de empresa de fachada de Mohamad. Ele negou ser administrador do Atena Fundo de Investimento e disse que o grupo Mohamad não é cotista do Fundo Atena.

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