O presidente Lula assinou a recondução de Paulo Gonet no comando da Procuradoria-Geral da República. O mandato do procurador-geral vai até dezembro, mas ele foi avisado nesta quarta-feira (27) que terá mais dois anos à frente do Ministério Público Federal.

A antecipação tem dupla função. De um lado, permite que Gonet tenha tempo para articular sua recondução junto aos senadores antes que comecem as tensões do julgamento sobre a tentativa de golpe de 2022, na próxima semana. De outro, esvazia a tradicional lista tríplice da Associação Nacional dos Procuradores da República, que sequer será feita.

A recondução evita que eventuais movimentos internos pressionem por outro nome e sinaliza apoio político de Lula ao trabalho de Gonet. Foi ele quem denunciou Jair Bolsonaro ao Supremo. Embora os bolsonaristas no Congresso direcionem mais ataques ao Judiciário, o procurador-geral é peça central nas investigações do ex-presidente e seus aliados — inclusive seu filho, o deputado Eduardo Bolsonaro.

Desde que assumiu, no fim de 2023, Gonet se alinhou às decisões do ministro Alexandre de Moraes e da Polícia Federal, rompendo com a postura passiva de seu antecessor, Augusto Aras. Agora, para ser reconduzido, precisa de maioria na Comissão de Constituição e Justiça e no plenário do Senado — ao menos 41 votos favoráveis.

Lula não apenas ignorou a votação da ANPR pela segunda vez, como a tornou irrelevante. Em 2023, já havia deixado de lado a tradição ao escolher Gonet, que nem sequer constava da lista.

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