O casal Patrick Zanquetim de Morais, de 32 anos, e Nilla Vitória Campos, de 26, foi o primeiro a ser preso por participar do maior ataque hacker ao sistema financeiro do país. Eles foram detidos na operação Magnus Fraus, deflagrada em 16 de julho pela Polícia Federal e por promotores do Rio de Janeiro e de São Paulo.
Segundo pessoas a par das investigações, Zanquetim — cujo nome de registro é Patrick Dioney Pereira de Morais — e Vitória integram um grupo criminoso especializado em fraudes e ataques a sistemas financeiros. A atuação do casal consiste no planejamento e execução da lavagem de dinheiro da organização.
Na invasão à empresa C&M Software, que deu origem ao maior ataque ao sistema financeiro nacional, o casal lavou parte do dinheiro, transferindo quantias para diversas fintechs e em contas diferentes, com o objetivo de driblar o rastreamento do Banco Central. Ao final, parte dos valores foram convertidos em criptomoedas.
Com Patrick, os promotores conseguiram recuperar o equivalente a 5,5 milhões de reais em criptomoedas, que estavam armazenadas numa carteira oculta física. Além disso, eles obtiveram bloqueio judicial de 32 milhões de reais em USDT (criptoativo pareado ao dólar) – esse montante estava numa conta de exchange de criptos.
Natural do Pará, Zanquetim é ex-estudante de medicina e atua como corretor de criptoativos, conhecido popularmente como trader. Em 2019, foi preso no Mato Grosso do Sul por estelionato e associação criminosa, após ele e outros estudantes alugarem carros com CNHs falsas.
Segundo pessoas a par das investigações, Zanquetim possui histórico de fraudes contra outras instituições financeiras e de pagamentos, sediadas em São Paulo e na Bahia.
Em registros obtidos pela reportagem na Junta Comercial de Goiás, Zanquetim ainda aparece como proprietário da empresa PaySafe Soluções Financeiras, que iniciou formalmente suas atividades em agosto de 2024, em Goiânia — cidade onde foi preso. Outra empresa vinculada ao trader é a WebGate Processadora de Pagamentos, de propriedade de Murilo Henrique Soares Araújo. Ambas são, segundo as evidências disponíveis, empresas de fachada.
Nilla Vitória, noiva de Zanquetim, é natural de Morrinhos, em Goiás. É médica formada e trabalha em uma Unidade de Pronto Atendimento em Aparecida de Goiânia.
O Bastidor procurou o advogado Francisco Tadeu, que acompanhou o casal durante a audiência de custódia, realizada um dia após a prisão. Ele informou não ser o advogado responsável pelo caso, afirmando que uma advogada de São Paulo assumiu a defesa, embora não soubesse informar o nome dela. A reportagem também procurou familiares de Zanquetim e Vitória, mas não obteve retorno.
O Bastidor tentou contato com Murilo Henrique, dono da WebGate, mas não obteve resposta.

