O ministro do Tribunal de Contas da União Jorge Oliveira ganha cada vez mais admiradores entre grandes empresários, lobistas e advogados. 

Ontem, ele relatou casos com impacto direto e indireto nas maiores empresas do país. Em todos, votou a favor dos interesses das empresas. Em todos, votou contra pareceres da área técnica do tribunal. Em todos, foi acompanhado por seus colegas. 

No principal deles, Oliveira aprovou acordo do governo com a Oi por meio do qual a operadora reduz substancialmente valores que deveria pagar à União. Há controvérsias sobre os números, mas, seguramente, eles estão na casa dos bilhões. A aprovação do acordo beneficia indiretamente o BTG de André Esteves, que controla a estrutura de fibra ótica da empresa. 

Em outra frente, Oliveira livrou ex-executivos do BNDES que participaram das operações do banco com a JBS, dos irmãos Batista. Também eximiu de responsabilidade aqueles que liberarem financiamentos à Cuba e à Venezuela. 

O comportamento do ministro na sessão de ontem não é exceção. Desde que foi indicado por Jair Bolsonaro ao cargo, Oliveira, um policial militar da reserva, já arquivou, por exemplo, casos que envolviam empreiteiras do petrolão e empresas enroladas no orçamento secreto. Entre a avaliação dos auditores e os argumentos dos empresários, o ministro quase sempre opta pelos advogados.