O julgamento do senador Sérgio Moro no Tribunal Regional Eleitoral do Paraná está apertado e os votos merecem atenção porque as questões são mais complexas do que parecem. Contudo, o que acontece em Curitiba é a primeira fase de uma questão que será decidida mesmo no Tribunal Superior Eleitoral, em Brasília.
Em dois processos, Moro é acusado pelo PL e pelo PT de abuso do poder econômico em 2022 e de caixa dois. As evidências das duas teses não são das mais fortes para cassar um mandato, por isso a ampla discussão.
O caso é delicado pela figura de Moro. Há um desejo do PT, seus aliados e até de gente da oposição e do Judiciário de tirar o ex-juiz da Lava Jato da vida pública.
Há vários interessados na sua cassação e em se candidatar na eventual eleição que ocorrerá caso ele realmente perca o mandato. Entre as candidatas está a presidente do PT, Gleisi Hoffmann, o ex-ministro Ricardo Barros e a própria esposa de Moro, a deputada Rosângela Moro.
Assim, qualquer que seja o resultado no TRE, a parte derrotada recorrerá ao TSE – onde Moro tem ampla desvantagem. Brasília é refratária a ele desde 2014 e não vai mudar. Mesmo após dois anos como ministro e um ano como senador, Moro não entendeu como as coisas funcionam e não soube fazer aliados. Isso costuma ser decisivo.

