Lideranças do União Brasil simpáticas a Sergio Moro e expoentes do próprio Podemos estão cada vez mais pessimistas quanto à viabilidade da pré-candidatura do ex-juiz à Presidência da República. Nos últimos dias, as conversas sobre alianças deram lugar às conversas sobre como – e quando – cancelar a aposta em Moro ao Planalto.
Mesmo entre quem gostaria de ver o ex-ministro de Bolsonaro como candidato, sobram dúvidas acerca da capacidade de Moro reagir nas pesquisas antes que se esvaia o apoio dele. Atribui-se os números ruins do momento à inexperiência política do ex-juiz, ao chamado amadorismo de sua equipe e a do Podemos e, não menos relevante, ao forte movimento entre adversários para impedir que ele concorra.
O que mais preocupa esses aliados é o que não pode ser resolvido por terceiros: o carisma – ou a falta de carisma – de Moro perante um eleitorado mais amplo do que as “viúvas da Lava Jato”, como definiu jocosamente um líder prestes a abandonar o projeto. “Ele não é candidato para 2022. Pode ser a outra coisa. (Mas) não para presidente. Não consegue apresentar nada, apanha o tempo inteiro e ainda fala bobagem quando é atacado”, diz esse político experiente. “É só notícia ruim.”
Essa turma concorda que será improvável Moro alcançar o patamar de 15% nas pesquisas até abril, data-chave para a composição de alianças e palanques regionais. Seria a demonstração de que o ex-juiz é uma aposta viável.

