O fim de ano do governo federal está problemático. Sofreu para aprovar o Auxílio Brasil, a PEC dos Precatórios e o orçamento. Agora, enfrenta o risco de ver servidores da Receita Federal entrarem em greve – o assunto será debatido hoje pela classe em reuniões virtuais.
Além da greve, são debatidas as possibilidades de operação padrão – quando a Receita faz um pente-fino em todas as fiscalizações, que normalmente são por amostragem – e de meta zero, que é quando os servidores deixam de fazer autuações.
Até o momento, ao menos 500 funcionários do órgão entregaram seus cargos em protesto pela falta de pagamento do prometido bônus de arrecadação, enquanto policiais federais receberam aumento salarial – previsto para ser pago em 2022.
A “rebelião” já alcançou auditores fiscais (inclusive os que atuam no Carf), analistas tributários e delegados da Receita. A principal raiva desses servidores, segundo o Sindifisco, após as promessas de Jair Bolsonaro, Ciro Nogueira e Paulo Guedes de regulamentar o bônus de eficiência.
Mas o tratamento diferenciado dado pela gestão Jair Bolsonaro não é o único motivo da bronca dos servidores. Há uma rivalidade velada entre a Receita e a PF há anos. As críticas são feitas de lado a lado em conversas de corredor e até em grupos de WhatsApp desses grupos.
Essa inimizade existe porque as duas categorias costumam fazer operações conjuntas e sempre disputam os louros pelas vitórias, segundo um deputado que transita nos dois grupos.

