É negociado nos bastidores um acordo que envolve o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e seu aliado Rodrigo Pacheco, recém-empossado ministro no Tribunal de Contas da União, para o caso de uma derrota do presidente Lula no segundo turno.
O acerto prevê a indicação de Pacheco por Lula ao Supremo Tribunal Federal, na vaga que antes seria destinada a Jorge Messias, rejeitado pelo Senado em abril com articulação de Alcolumbre. A aprovação de Pacheco, um preferido de todo o Senado, ocorreria ainda em 2026. Com Pacheco no STF, sua cadeira no TCU seria destinada a Alcolumbre. A indicação ao TCU, no entanto, seria votada em 2027.
Ciente das dificuldades que enfrentará se buscar a reeleição na presidência do Senado num eventual governo de Flávio Bolsonaro, Alcolumbre teria no TCU uma saída mais honrosa que a derrota na reeleição, em fevereiro.
As dificuldades de Alcolumbre, em busca da reeleição na presidência no Senado, aumentaram com os resultados da eleição. Das 54 vagas em disputa, o PL e Novo ficaram com 22. O PL tem um candidato à Presidência do Senado, Rogério Marinho. A segunda opção é a senadora Tereza Cristina, do PP. O PL não aceita Alcolumbre, que é contrário ao impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal, principal projeto do PL para 2027 no Senado.
Alcolumbre está enfraquecido não só em Brasília. No Amapá, seu grupo foi derrotado nas eleições. O governador Clécio Luís perdeu no primeiro turno para Doutor Furlan, hoje o maior adversário do senador no estado. O senador Randolfe Rodrigues não foi reeleito mesmo com o apoio de Alcolumbre e de Clécio. As duas vagas no Senado foram conquistadas por aliados de Furlan.
Procurada, a assessoria de Alcolumbre não comentou.