Humberto Martins ainda tem esperança de vestir uma toga no STF se a PEC que aumenta para 70 anos a idade máxima de ingresso na corte (65 anos) passar no Congresso. Aposta tanto que tem feito forte lobby junto a parlamentares. Mas as chances do ministro que completa 66 anos em outubro podem não ser boas – mesmo com o texto aprovado – se Jair Bolsonaro continuar no Palácio do Planalto.

A imagem do presidente do STJ junto ao chefe da República não é das melhores. Ainda na disputa pela vaga da corte deixada por Marco Aurélio e dada a André Mendonça, em 2021, Martins reuniu-se com Bolsonaro para mostrar seus predicados. Não conseguiu.

Não deixava Bolsonaro falar e fazia piadas para tentar uma proximidade inexistente, segundo fontes palacianas. “O presidente odeia ser interrompido e procurava alguém com perfil sério, para agradar os evangélicos”, afirmou um interlocutor próximo do capitão reformado.

A boa vontade com Martins, que chegou à corte durante o governo Lula, é pura política construída junto a Bolsonaro por seus conselheiros (principalmente seus filhos). E o presidente ouviu – um bom exemplo foi registrado no fim de março, quando o ministro foi condecorado pelo Ministério da Justiça.

O Bastidor questionou o ministro sobre as informações veiculadas, mas não obteve resposta até a publicação deste texto.