Dois movimentos recentes do presidente nacional do PT, Edinho Silva, abriram uma crise com o partido em Minas e irritaram o senador Rodrigo Pacheco. Além de praticamente descartar a candidatura do senador ao governo mineiro pelo PSB, Edinho passou a defender internamente uma aproximação com Alexandre Kalil, do PDT, segundo dirigentes petistas ouvidos pelo Bastidor.
O PT mineiro não reconhece uma coisa nem outra. Diz ainda manter conversas com Pacheco, que vai se encontrar com o presidente Lula para tratar do tema, e descarta uma aliança em que Kalil seja o candidato ao governo.
Edinho disse na semana passada que Pacheco sinalizou que não pretende ser candidato. Nesta terça-feira (19) cravou que o senador não vai disputar a eleição. Pacheco, de acordo com aliados em conversa com a reportagem, avalia o movimento como uma pressão inócua sobre ele. Filiado ao PSB, ele não se vê na obrigação de dar uma resposta apressada ao PT. Aguarda um encontro com Lula para comunicar a decisão. Aliados afirmam que ele ainda não decidiu.
A declaração de Edinho provocou rusgas também no PT mineiro. A presidente do PT no estado, Leninha, telefonou para Edinho nesta terça e falou em tom de reprovação, segundo dirigentes do partido no estado. Ela disse que a direção estadual está tratando do tema antes do PT nacional.
A inclinação de Edinho para abrir conversas com Kalil irritou dirigentes petistas porque, sem Pacheco, o partido vai defender candidatura própria ao governo de Minas. Uma composição com Kalil só é vista como positiva pelo PT de Minas caso ele dispute uma das vagas para o Senado na chapa petista para o governo. Nesse caso, o partido pretende ter algum nome do PSB, de Pacheco, na vice.
Uma aliança com Kalil como candidato ao governo só avançará se houver uma imposição do PT Nacional a partir do presidente Lula. Kalil tem desavenças com o PT desde a eleição passada, quando foi candidato a governador e perdeu no primeiro turno para Romeu Zema. Kalil se sentiu traído pelo PT.
Como mostrou o Bastidor em fevereiro, Lula descartou os candidatos próprios do PT para a disputa ao governo de Minas e reafirmou a preferência por Pacheco. Caso o senador, na conversa que terá com o presidente, recuse o convite, o PT mineiro vai insistir na candidatura da ex-prefeita de Contagem Marília Campos, que é pré-candidata ao Senado, ou em Sandra Goulart, reitora da Universidade Federal de Minas Gerais.
O Bastidor procurou Edinho nesta terça e perguntou sobre seus movimentos, mas o dirigente não respondeu.

