Uma licitação de 2019 em Salvador está sob o radar do Ministério Público baiano porque poucas candidatas conseguiram, de fato, disputar o certame. Naquele ano, a prefeitura de Salvador, liderada por ACM Neto, decidiu contratar uma empresa para “requalificar” a orla entre os bairros de Amaralina e Pituba.

Dez empresas chegaram à fase da abertura dos envelopes, mas apenas três tiveram suas propostas avaliadas. A licitação foi tocada pela Secretaria de Infraestrutura da cidade, chefiada na ocasião pelo agora prefeito Bruno Reis e vencida pelo consórcio Orla Marítima, que tinha entre seus integrantes a Construtora BSM.

A BSM pertence a Lucas Cardoso. O empresário, amigo de infância e confidente de ACM Neto, foi apontado na Lava Jato como seu operador por André Vital Pessoa de Mello, ex-diretor de Infraestrutura da Odebrecht, em acordo de delação premiada.

Também chamou a atenção do Ministério Público o custo da licitação em relação ao tamanho da obra. Foram gastos, segundo dados do portal da transparência de Salvador, quase 48 milhões de reais para reformar um trecho de pouco mais de quatro quilômetros.

Ainda de acordo com informações da prefeitura, faltam 5% dos trabalhos para concluir a obra iniciada em novembro de 2019. A investigação começou em 2020 e no ano passado foi prorrogada até novembro deste ano.

Como já mostrou o Bastidor, a BSM faturou ao menos 270 milhões em contratos com a prefeitura de Salvador durante a gestão de ACM Neto.

O Bastidor questionou Bruno Reis sobre as informações veiculadas, mas não recebeu resposta até a publicação desta notícia. A reportagem não conseguiu contatar a BSM.