Na Prefeitura de Salvador, não tem conversa: se a BSM, construtora de um amigo de infância de ACM Neto, estiver na concorrência, é melhor desistir. A empresa de Lucas Cardoso, apontado pela Odebrecht como operador de propinas do candidato ao governo da Bahia, é imbatível. Não perde um contrato na gestão do amigo.
O fenômeno BSM esteve presente, por exemplo, numa concorrência para revitalizar uma das orlas da capital baiana. Em 2019, a construtora, formando um consórcio com uma empresa amiga, venceu a licitação de 39 milhões de reais. Das nove concorrentes da empresa de Lucas Cardoso, sete foram prontamente inabilitadas.
A Prefeitura afirmou que elas não tinham experiência com obras em encostas. A empresa de Lucas Cardoso, que até então ninguém sabia ser de Lucas Cardoso, fechou o contratão. E fechou o contratão (detalhes abaixo) mesmo apresentando o nono preço mais caro.

Não por acaso, a licitação foi promovida pela Secretaria de Infraestrutura de Salvador, então chefiada por Bruno Reis – à época, vice-prefeito de ACM Neto e, hoje, sucessor dele no comando do município.
Após sucessivos aditivos, a BSM faturou cerca de 48 milhões de reais com a obra.
Como o Bastidor revelou, a presença de Lucas Cardoso na BSM era segredo. Não à tôa. A empresa faturou, por baixo, 270 milhões de reais na gestão de ACM Neto – seguiu ganhando dinheiro público mesmo após as delações da Odebrecht, que descortinaram a participação de Lucas Cardoso na coleta de propina do então prefeito.
Hoje, o nome de Lucas Cardoso causa apreensão na campanha de ACM Neto. Ele não está descansando na orla. Participa da cooptação de aliados para a candidatura do amigo.

