Na Bahia, não tem preço virar aliado de ACM Neto. Ou melhor: tem – e ele é lucrativo. Que o diga a família Mendonça, dona do PDT no estado. Em maio, após o presidente do partido, Carlos Lupi, fechar acordo para apoiar a candidatura de Neto ao governo baiano, a família Mendonça bombou.

Primeiro, Andrea Mendonça, ex-vereadora, virou secretária de Cultura na Prefeitura de Salvador, hoje comandada por um aliado de ACM Neto. Meses depois, a principal empresa da família, a Ankara Engenharia, antes conhecida como MRM, obteve um contrato de cerca de 210 milhões de reais junto ao município para tocar obras de moradia na periferia da capital. 

A construtora é dirigida por Vanessa Mendonça Abubakir, filha de Andrea, a nova secretária de Cultura. Vanessa é sobrinha do deputado federal Félix Mendonça Júnior, presidente do PDT na Bahia (abaixo, em foto com a irmã). Foi o pai de Félix e de Andrea quem criou a empreiteira, hoje um negócio familiar. Todos apoiam ACM Neto, claro.

Por coincidência, antes do apoio do PDT a ACM Neto, a Ankara não teve a mesma sorte nessa mesma licitação. Ano passado, a empresa da família Mendonça participou da concorrência, mas perdeu.

Por razões nunca explicadas, a Prefeitura de Salvador cancelou a licitação. Relançou o edital em julho deste ano, depois do acerto do PDT com ACM Neto. As mesmas empresas participaram. Mas, desta vez, a Ankara levou a melhor.

O caso chama ainda mais a atenção porque envolve financiamento do Banco Interamericano de Desenvolvimento, o BID. O chamado Projeto Mané Nova Dendê, de revitalização de bairros importantes de Salvador, recebe bastante publicidade da Prefeitura. Mas as licitações e os contratos não aparecem no Portal da Transparência do município. O BID também não declina informações básicas do investimento. Na Bahia de ACM Neto, nem o BID apita.