Os efeitos da crise do banco Master foram limitados nas eleições. Além do candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, ter passado ao segundo turno em primeiro lugar, o presidente da Câmara, Hugo Motta, do Republicanos, e o senador Jaques Wagner, do PT, ambos presentes nas investigações, foram reeleitos. Apenas o senador Ciro Nogueira, o mais próximo de Vorcaro, foi derrotado.

Além de vários encontros, Flávio Bolsonaro, do PL, pediu 131 milhões de reais a Daniel Vorcaro, dono do Master. Mesmo assim, Bolsonaro teve 47% dos votos e passou ao segundo turno na frente do presidente Lula.

Em mensagens extraídas do celular de Vorcaro, Hugo Motta aparece tratando de negócios. Segundo a PF, o Master emprestou 22 milhões de reais à uma empresa da cunhada do deputado, em março de 2024. O dinheiro foi usado na compra de uma área de mais de 400 hectares em João Pessoa por 45 milhões de reais. Os diálogos revelam Motta tratando da operação diretamente com o banqueiro. Além disso, a PF encontrou registros de uma viagem de Motta e Ciro a Lisboa em junho de 2024, em avião cedido por Vorcaro e com hospedagem paga por ele.

Em 2 de fevereiro de 2025, um dia depois de Motta ser eleito presidente da Câmara, Vorcaro disse a Luiz Rennó, então diretor jurídico do Master, que estava em Brasília com “Davi e Hugo”, referência ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e a Motta. Quando Rennó perguntou se tinha bom trânsito com o deputado, Vorcaro respondeu que era o “number 1” de Motta e o chamou de “amigo irmão”.

Jaques Wagner, do PT, foi reeleito em segundo lugar para o Senado pela Bahia, com 27% dos votos válidos. Ficou atrás de outro petista, o ex-ministro Rui Costa, que teve 29% dos votos. Wagner foi alvo da 9ª fase da operação, em 18 de junho de 2026. A PF investiga se ele recebeu vantagens ligadas ao banco, entre elas um apartamento em Salvador, viagens em jatinhos e ingressos para um show em Los Angeles em 2023. Em relatório, a PF afirma que Wagner atuou no Senado em favor do Master em troca desses favores.

O senador Ciro Nogueira, do PP do Piauí, alvo da Polícia Federal no caso Master, não conseguiu ser reeleito. Ciro foi alvo da 5ª fase da Operação Compliance Zero, deflagrada em 7 de maio deste ano. Em relatório, a PF afirma que ele atuou em favor de interesses privados de Vorcaro em troca de propina de 300 mil reais por mês, valor que depois subiu para 500 mil reais.

Um dos episódios investigados é a emenda apresentada por Ciro em agosto de 2024, que ficou conhecida como emenda Master. O texto elevava a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos, o FGC, de 250 mil reais para 1 milhão de reais por depositante. Segundo a PF, a minuta foi redigida pela assessoria do banco e entregue na casa do senador.