O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, aproveitou a posse do novo superintendente no Amapá, nesta quarta-feira (27), para criticar a proposta do Ministério da Justiça de criar uma agência de combate a facções criminosas. Em discurso, Rodrigues afirmou haver “interesses desconhecidos” por trás da iniciativa.
“Enquanto alguns, por interesses desconhecidos, querem criar uma nova agência para combater o crime organizado, minha resposta é muito direta: essa agência já existe, é a Polícia Federal. E ela coordena ações em todo o Brasil de maneira integrada com nossos parceiros nas 27 unidades da federação”, disse o diretor-geral.
Por trás da crítica está a longeva disputa corporativista entre Ministério Público Federal e Polícia Federal pela primazia em investigações.
A proposta de criação da agência foi retirada do chamado “Plano Real da Segurança” após pressão da PF. O texto previa a criação de uma agência vinculada ao Ministério da Justiça, que seria chefiada por um coordenador a ser escolhido pelo presidente da República e sabatinado no Senado.
Seria composta por policiais federais, auditores da Receita Federal e procuradores federais. Para atuação, seriam formadas equipes de investigação de membros temporariamente cedidos por outras instituições, nos moldes da Força Nacional e do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).
Na opinião de delegados envolvidos nas negociações, a agência geraria um choque de atribuições e poderia levar à duplicação de investigações e prejuízos às informações de inteligência. Os policiais se incomodam em especial com o risco de a agência ser composta majoritariamente por integrantes do Ministério Público Federal, especialmente do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), que em fevereiro de 2025 criou o “Gaeco Nacional”.
Para procuradores a par da discussão, a agência serviria para centralizar pedidos de colaboração internacional relacionados ao combate ao crime organizado. Além disso, evitaria a fragmentação de investigações entre Ministério Público e PF.
Em paralelo, no Congresso, o deputado Danilo Forte (União Brasil-CE) apresentou proposta para classificar o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) — as duas maiores facções criminosas do país — como organizações terroristas. Como revelou o Bastidor, tanto o Ministério da Justiça quanto a PF são contrários à proposta.
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