Relatório da Polícia Federal encaminhado ao Supremo Tribunal Federal aponta que o empresário Diego Cavalcante Gomes atuou como operador do lobista Andreson de Oliveira Gonçalves. Ambos são investigados em inquéritos que apuram o comércio de sentenças no Superior Tribunal de Justiça e em tribunais estaduais.
No inquérito que trata de lavagem de dinheiro, a PF, com base em informações de Relatório de Inteligência Financeira (RIF) do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF), diz que Gomes, entre 2018 e 2024, movimentou mais de 60 milhões de reais entre créditos e débitos.
O COAF destacou que há operações incompatíveis com a renda declarada, além de movimentações em espécie. O empresário fez 520 saques que, somados, ultrapassam os 9 milhões de reais.
Gomes, como mostrou o Bastidor em maio, recebeu recursos da empresa Florais Transportes, que pertence a Andreson e foi usada no esquema para pagar propina no Judiciário.
No documento, a PF relata uma conversa por mensagem de telefone entre Andreson e Gomes em que o lobista solicita a transferência de 25 mil reais. O nome salvo do celular de Andreson era Diogo Brasília, e não Diego.
Gomes chegou a ser preso em maio por obstrução de Justiça ao tentar se livrar de um celular. Em julho, o ministro Cristiano Zanin, relator do caso no STF, revogou a prisão do empresário.
Já Andreson foi preso preventivamente em novembro do ano passado. Ficou detido em Mato Grosso, depois foi transferido para a Papuda, em Brasília. Em julho, Zanin autorizou o cumprimento da prisão domiciliar após a defesa do lobista alegar problemas de saúde.
No início de outubro, o ministro determinou que a PF cumprisse um mandado de busca e apreensão na casa do lobista em Primavera do Leste, no Mato Grosso.
Na ocasião, foi preso o policial militar aposentado Dejair Silvestre dos Santos, que tentou esconder um celular atribuído a Anderson durante a operação. Ele fazia a segurança do lobista e foi detido por obstrução de justiça. Zanin converteu a prisão do PM aposentado em preventiva.
A PF diz ter indícios de que Andreson descumpriu as medidas cautelares. Suspeita que, desde que foi para prisão domiciliar, o lobista voltou a manter contato com outras pessoas investigadas. A PF quer saber se Andreson manteve contato, por exemplo, com Gomes.
O Bastidor buscou a defesa de Gomes nesta quinta-feira (23). O advogado dele, Marcelo Tigre, disse que ainda busca ter acesso à integra do Relatório de Inteligência Financeira. Disse ainda que “quanto a essas operações de crédito e débito, posso garantir que provavelmente não procede. 90% delas são inverossímeis”.
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