O ministro do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli, determinou o bloqueio do patrimônio de investigados em supostas fraudes financeiras no Banco Master. Entre eles, está o empresário Nelson Tanure, um dos nomes mais ligados ao banco nos últimos anos. Assinada em 6 de janeiro, a decisão estava sob sigilo até a última sexta (16).
Atendendo a um pedido da Procuradoria-Geral da República, Toffoli autorizou o sequestro e o bloqueio de bens de 38 investigados, atingindo um montante que pode chegar a mais de 5,7 bilhões de reais. Ele também deferiu a quebra do sigilo bancário e fiscal de 101 pessoas e entidades, abrangendo movimentações entre 20 de outubro de 2020 e 21 de outubro de 2025.
A determinação acompanha a Operação Compliance Zero, nova fase da investigação deflagrada pela PF na manhã da quarta-feira (14), com cumprimento de 42 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Bahia, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro.
Na operação, Tanure foi um dos 42 alvos da PF e teve o celular apreendido quando se preparava para embarcar para Curitiba. Ele é apontado pela PF como beneficiário final da Lormont Participações S.A., cujas CCBs somam 73,7 milhões de reais e concentraram 97% da carteira do FIDC Maranta em operação entre partes relacionadas.
O empresario também é identificado como sócio oculto do Banco Master, exercendo influência por meio de fundos e estruturas complexas. A decisão determina que o bloqueio do patrimônio dele ocorra no mesmo volume aplicado a Daniel Vorcaro.
A defesa de Tanure afirmou que o empresário nunca teve qualquer relação societária com o Banco Master e que atuou apenas como cliente da instituição, nas mesmas condições em que é atendido por outras instituições financeiras. Segundo os advogados, ele também jamais promoveu operações de investimento em outros veículos que pudessem converter dívidas em participação, ainda que indireta, no banco. A defesa informou ainda que apresentará todos os esclarecimentos necessários.
Atualização em 20 de janeiro às 14h20: Após a publicação da matéria, a defesa do empresário Nelson Tanure procurou a reportagem e enviou uma nota de esclarecimento. O texto foi atualizado para incluir a manifestação dos advogados.

