A determinação de Arthur Lira para aprovar brevemente a PEC que aumenta a idade de 65 para 70 anos a idade máxima de nomeação de juízes e ministros dos tribunais superiores é fruto de uma articulação para barrar o nome de André Mendonça, ex-advogado-geral da União, para o Supremo Tribunal Federal.
De acordo com fontes do Senado e da Câmara ouvidas por Bastidor, não foi por acaso que o anúncio do presidente da Câmara ocorreu no mesmo dia em que Davi Alcolumbre, à frente da Comissão de Constituição e Justiça do Senado, marcou a sabatina de Mendonça. Lira deu a deixa para a movimentação dos senadores.
É o retorno do nome de Humberto Martins. Ele consegue unir os inimigos políticos Arthur Lira, Renan Calheiros e Flávio Bolsonaro. Os dois primeiros são adversários em Alagoas, e Flávio não perdoa o relatório de Calheiros contra seu pai na CPI da Pandemia. As diferenças, porém, se encerram quando se trata de Martins.
Outro entusiasta do ministro do Superior Tribunal Federal é Frederick Wassef, consultor e operador da família presidencial.
Martins tem 65 anos e, se aprovada a PEC, o ministro volta a sonhar com a indicação para o STF.
Um senador ouvido por Bastidor afirmou que o Senado não deve se opor a aprovar a mudança na Constituição.
Alcolumbre tem dito ter votos para barrar Mendonça na CCJ e no plenário do Senado. A perspectiva de poder indicar Humberto Mendonça para o seu lugar volta a embolar as articulações. Alcolumbre prefere o procurador-geral da República, Augusto Aras.
A dificuldade de toda a movimentação, de acordo com um senador, é garantir que Mendonça seja barrado, porque, diz, “a tendência é sempre votar para aprovar um indicado para o Supremo Tribunal Federal e não ganhar um inimigo quase eterno na mais alta corte do país”.

