A Agência Brasileira de Inteligência (Abin) considera seu ex-diretor, o deputado federal foragido Alexandre Ramagem, do PL, um fator de risco. Como ex-chefe da agência de espionagem brasileira durante o governo Bolsonaro, ele é detentor de segredos e teve acesso a informações sensíveis, algumas ainda com valor. Condenado por participação na trama golpista de 2022, Ramagem fugiu para os Estados Unidos em setembro.
Segundo fontes da agência ouvidas pelo Bastidor, existe a preocupação que Ramagem utilize dados e documentos aos quais teve acesso durante o período em que comandou o órgão. Ele pode revelar segredos de Estado e informações confidenciais que, em última instância, podem interferir no trabalho de espionagem conduzido pelo Brasil no exterior.
Temas de inteligência sensíveis para os Estados Unidos, como o combate ao narcotráfico na fronteira com a Venezuela, as negociações sobre tarifas de Itaipu (que geraram uma crise em maio, com a revelação que a Abin espionou autoridades paraguaias durante a gestão de Ramagem e a atual), e o monitoramento do crescimento de células de grupos terroristas, se sobrepõem às áreas de atuação da inteligência brasileira.
O temor dos espiões brasileiros é que Ramagem use o que sabe para negociar sua permanência nos Estados Unidos, em caso de um pedido de extradição do Supremo Tribunal Federal – que virá, cedo ou tarde.
Ramagem foi condenado pelo Supremo a 16 anos de prisão por participação na trama golpista de 2022. Em 8 de setembro, antes do julgamento, ele viajou sozinho do Rio para Roraima e, em seguida, cruzou por terra a fronteira com a Guiana, de onde embarcou para Miami. Sua esposa e filhas embarcaram dias depois em um voo comercial para Orlando. Na ocasião, agentes da PF apreenderam seus celulares e computadores, mas não as impediram de viajar por não haver qualquer restrição judicial a elas.
O caso da chamada “Abin paralela”, no qual Ramagem também foi investigado, aguarda parecer da Procuradoria-Geral da República há quase seis meses. Pessoas ligadas à investigação afirmam que, após a fuga, a expectativa é que a denúncia seja apresentada mais rapidamente.
Nesta quarta (3), o Ministério da Justiça assinou a portaria de exoneração de Ramagem e do ex-ministro Anderson Torres, também condenado no processo da trama golpista, da Polícia Federal.
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